Faltam creches e lazer na Vila Tião


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A “Feira do Rolo” acontece há décadas na entrada da Vila São Sebastião. Moradores não gostam da atividade, mas, para quem participa, local significa “renda extra”. Moradores de diferentes bairros da cidade visitam o loca
A “Feira do Rolo” acontece há décadas na entrada da Vila São Sebastião. Moradores não gostam da atividade, mas, para quem participa, local significa “renda extra”. Moradores de diferentes bairros da cidade visitam o loca
Quem chega à Vila São Sebastião pela primeira vez imagina estar entrando em um bairro movimentado. A Rua Francisco Marques, principal via de acesso ao bairro, se transformou em um verdadeiro centro comercial que abriga lojas de peças de veículos, móveis, eletrodomésticos, confecções e alimentos. Na rua, notam-se pedestres andando pelas calçadas apressados e carros num corre-corre frenético. Mas, ao entrar na Vila, a imagem é outra: o barulho do trânsito e o movimento dos comércios cedem lugar a um ambiente quase vazio, onde até cavalos podem ser encontrados pelas ruas. Na “Tião” é fácil se deparar com um idoso curtindo a sombra de uma árvore, como o aposentado José Soares de Almeida Filho, 87. Ele chegou ao bairro há 22 anos, depois de morar por 65 anos na fazenda. Não se arrependeu da mudança da área rural para a cidade. Disse que a vizinhança é harmoniosa e só reclama da voçoroca e de um buraco que se formou há meses em sua rua e não é tapado. “Gosto daqui, mas às vezes parece que esquecem a gente”, disse. O problema com a voçoroca é enfrentado principalmente pelos moradores que residem nos fundos do bairro. Ela abrange uma extensa área, com grandes encostas e um córrego. No local são despejados lixos domésticos e de construção. O mato está alto e serve de abrigo para bichos e até pessoas. “Quando alguém quer se esconder, ali fica fácil”, disse a aposentada Geni Farcuci Pereira, 74, acrescentando que lá procriam escorpiões, caramujos e cobras. “Dá medo. Precisavam limpar isso”. O secretário de Serviços, Ismar Tavares, disse que precisa ir até o local para conferir se é uma voçoroca ou área de preservação ambiental em que os moradores depositam entulhos. Ele adiantou que, nos últimos dois anos, duas voçorocas foram contidas no bairro e um novo trabalho vem sendo realizado próximo à Rodovia Cândido Portinari, na própria Vila São Sebastião. Enquanto José e Geni citam a voçoroca como um dos maiores problemas do bairro, os jovens se queixam da falta de áreas de lazer. “Temos apenas uma quadra de futebol, num local pequeno, onde não há sequer árvores”, disse Amanda Souza, 17. Em frente à UBS (Unidade Básica de Saúde) até existe uma praça, mas como fica próxima à movimentada Rua Francisco Marques, não é considerada tranqüila pelos moradores. Além disso, o espaço está sujo. Há sacolas plásticas esparramadas por todo local e a grama dá sinal de que não recebe cuidados há meses. Outra escassez sentida no bairro é de creches. A única do local tem apenas 60 vagas. De acordo com o cronograma divulgado pela Prefeitura na semana passada, não há previsão da construção de novas unidades naquela região. Como em todo bairro há um lado bom, a “Vila Tião”, com seus 38 anos de idade, também tem o seu. A UBS local é hoje referência para outros bairros da região e elogiada pelos moradores. “Não tenho que reclamar do atendimento prestado aqui. Nunca tive problemas”, disse a manicure Cleuza Aparecida, 46. [FOTO2] VIOLÊNCIA A “Tião”, que no passado foi considerada o reduto da criminalidade na cidade, aparece hoje com menor freqüência nas páginas policiais. No último ano, seis matérias publicadas pelo Comércio relataram prisões de traficantes de entorpecentes que agiam no bairro. Essa é uma das maiores preocupações dos moradores quando o assunto é violência. Por conta do tráfico, a população pede mais policiamento. “O tráfico acaba gerando violência. Deveríamos ter uma ronda ostensiva aqui”, disse a sapateira Márcia Ferreira, 27. A Seccional de Polícia não revelou o índice da criminalidade no local, mas dados da Vara da Infância e Juventude apontam uma queda significativa no número de menores envolvidos com o crime. Em 2006, dos mais de 140 bairros da cidade, a Vila São Sebastião ocupava o 3ª lugar no ranking das moradias dos menores infratores. Já em 2007, o bairro ficou na 13ª posição. Para o delegado Luís Carlos da Silva, responsável pelo 2ª Distrito Policial, a melhora nos índices da criminalidade envolvendo menores se deve ao progresso que chegou ao bairro. “Com mais recursos, comércio, escolas, saneamento, empregos, tende a haver uma melhora no padrão de vida das pessoas, como na própria segurança do lugar”, disse.

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