Praça de Rib. Corrente está ‘pelada’ há três meses


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Um terreno vazio é o atual cartão-postal de Ribeirão Corrente. No lugar onde existiam mais de 20 árvores, a maioria com mais de 40 anos, hoje não há nada. Principal ponto de convivência social na vizinha cidade de 4 mil habitantes, a Praça Santa Cruz, onde fica a Igreja Santa Cruz, está “pelada” há três meses. Não sobrou nenhuma árvore, banco ou flor. No lugar, apenas o mato crescente. Quem já conhecia a cidade e chega nela hoje leva um susto. A retirada das árvores foi determinada pela Prefeitura, que projetou uma nova praça incluindo o plantio de outras mudas. Na época, o corte dividiu a cidade. Houve quem chamasse a Polícia Ambiental ou reclamasse junto ao Ministério Público. O caso não foi para frente, já que a administração tinha autorização do DPRN (Departamento Estadual de Recursos Naturais) para a derrubada das árvores. Entretanto, além do atraso na obra, a prefeitura é alvo de uma denúncia feita ao Ministério Público e à Procuradoria Federal de que haveria fraude no processo de licitação para favorecimento da empresa contratada. A empresa é acusada de usar maquinário da prefeitura para executar serviços no local, sendo que ela seria paga justamente para trabalhar com equipamentos próprios. O promotor de Justiça Paulo Borges disse que, como a verba é federal, a investigação foi repassada para a Procuradoria Federal, que hoje analisa a denúncia. Procurado pela reportagem durante a tarde de ontem para falar sobre o caso, o procurador João Bernardo estava em audiência e não respondeu às ligações até o fechamento desta edição. O secretário de Obras de Ribeirão Corrente, Nilson Pulhes, afirma que a empresa realmente utilizou uma máquina municipal, mas não encara o procedimento como irregular. “Existe uma lei municipal que permite que maquinário da Prefeitura seja utilizado desde que seja recolhida uma taxa de R$ 45 a hora. Foi o que aconteceu. A empresa pagou a taxa e usou a máquina”. Quanto a um possível favorecimento de empresa, o secretário desconhece o assunto. O prefeito Airton Montanher (PT) disse estar ciente da denúncia e afirma que não houve nenhuma irregularidade na contratação da empresa. “Nossa prefeitura sempre agiu com transparência e esta denúncia é totalmente infundada e deve ser apurada. Estou à disposição do MP para esclarecer qualquer dúvida”, disse. A obra deveria ter começado no fim do ano, mas atrasou. Montanher disse ontem que o atraso se deve a modificações no projeto que prevê a construção de uma fonte luminosa, uma concha acústica, banheiros e calçada de 600 metros quadrados. “Tivemos que refazer o projeto em razão do estacionamento”. Com a reformulação o projeto passará de R$ 220 mil para R$ 270 mil. A administração entrará com uma contrapartida de R$ 50 mil para completar a verba federal. Montanher afirmou ainda que as obras deverão começar nos próximos dias. A revitalização da Praça Santa Cruz faz parte da segunda etapa do projeto que reconstruiu também outra pracinha que fica em frente à Igreja Santa Cruz. As previsões são de que a obra demorará três meses para ser concluída e o prefeito pretende inaugurar a nova praça em junho com uma festa junina. MORADORES Poucos moradores da vizinha cidade quiseram comentar o estado em que a praça se encontra hoje. É o caso da comerciante Aparecida Rosa Machado, 56. Há três anos ela tem uma loja no local e estava acostumada com a ampla área verde da praça. “Ficou muito feio e ruim. Não temos mais sombras”. A dona de casa Aparecida Cherioni, 70, disse que aproveitava a sombra das árvores para descansar quando ia ao Posto de Saúde. “Agora tenho que usar guarda-chuva”.

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