Empreender na terceira idade


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Depois de anos de trabalho, o merecido descanso. Esse seria o desejo da grande maioria das pessoas que dedica décadas de vida na labuta para poder usufruir depois dos ganhos da aposentadoria. Mas não é unânime. É cada vez mais comum encontrarmos pessoas que, mesmo após anos e anos dedicados ao trabalho, ainda encontram energia para seguir, inventar e empreender. São cada vez mais numerosos. A expectativa de vida no Brasil aumenta a cada ano. Pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 constatou-se uma idade média de 72,3 anos para a população do País, sobretudo, pelos avanços da medicina e pela melhoria da situação social e econômica. A mesma pesquisa prediz, para 2025, que o número de pessoas acima dos 50 anos corresponda a 15% da população, ante os 7% a-tuais. Ainda, mostram que em 2050 o Brasil terá cerca de 14 milhões de pessoas com mais de 80 anos, perante os dois milhões contabilizados no ano passado. Ao cruzar os números com a nova geração de aposentados empreendedores, é possível destacar dois fatores que explicam tal surgimento. O primeiro fator está diretamente ligado à situação previdenciária atual. É a justificativa de aposentados que fazem uma projeção pessimista com relação ao assunto. Temerosos de futuras limitações financeiras, decidem se arriscar no mundo dos negócios, depositando na empreitada a garantia de um futuro melhor e mais tranqüilo. E têm razão. O valor da aposentadoria é calculado de acordo com a expectativa de vida da população. Se ela aumenta, a pensão paga pelo Poder Público diminui. O aumento da população idosa também pulveriza mais os benefícios previdenciários. Atualmente, o Ministério da Previdência contabiliza mensalmente o pagamento de 24,6 milhões de benefícios, dos quais cerca de apenas 8,1 milhões acima do salário mínimo. O segundo fator é motivacional. Há pessoas com espírito ainda aventureiro que, mesmo após a aposentadoria, acreditam em seus potenciais de reinvenção e crêem em seus “feelings” empresariais, preocupadas em manter a independência financeira adquirida. Para ambos os grupos, porém, há um mesmo risco: a falta de informação. Arriscar-se no mundo dos negócios pode ser uma aventura perigosa e desagradável. Entidades como o Sebrae desenvolvem cursos exclusivos para esse tipo de público, para que os riscos existentes sejam minimizados. Esse grupo de ousados da terceira idade vem para mudar a cultura de que a vida ativa tem data e hora para acabar. A imagem do aposentado, aquele ser de sandálias sentado numa cadeira de balanço vendo o dia passar, está mudando radicalmente. MILTON DALLARI é diretor administrativo e financeiro do Sebrae-SP e presidente da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp

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