FÃ-NÁTICOS


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Assim como qualquer menina no auge da adolescência, que já morreu de amores pelo astro do cinema Leonardo Di Caprio ou pela dupla Sandy & Junior, os garotos, mesmo um pouco mais reservados, em algum momento também se renderam aos caprichos e rebolados de musas como Tiazinha e Feiticeira. Paixão que muitas vezes pode beirar a sandice ou a idolatria declarada fica muito mais acentuada quanto mais famoso e inatingível for o ídolo. Fenômeno mais verificado entre as meninas, é comum ver situações que, para os mais racionais, não faz qualquer sentido. O descontrole e o frisson gerados pela simples possibilidade de ouvir - quanto mais ver! - um ídolo é algo que existe desde sempre; diga-se, desde que a indústria do entretenimento começou a se tornar profissional, isso lá pelos anos 20 do século passado. E não tem como evitar: sua avó foi assim com os locutores e artistas de novelas de rádio, sua mãe se desmanchava pelos Beatles ou pelo rebelde sem causa, James Dean, e, agora, por que não, é sua vez. Fã que é fã é capaz de fazer qualquer coisa para seguir seu astro ou banda preferida. Economizar na mesada ou no salário para poder ver o show do grupo preferido já nem pode ser considerado sacrifício. Assim, gritam escandalosamente até perderem a voz, ficam em pé por horas na porta do hotel, driblam seguranças, invadem camarins e até pagam uma bela grana por uma toalhinha suada. E não se arrependem. Prova disso é a promotora de vendas Maurícia de Melo, 27, que, na sua adolescência, fazia verdadeiros escândalos quando frequentava os shows do cantor Fábio Júnior Declarando-se mais contida, ela não tem problema em admitir que ainda canta no chuveiro e acompanha a carreira, já não tão empolgante, do cantor. Outra fã de carteirinha, mas de um estilo completamente diferente, é a auxiliar de escritório Tatiane Martins de Britto, 20. Desde que tinha 14 anos, ela é fissurada em heavy metal e também garante já ter feito loucuras para conseguir assistir aos shows de suas bandas preferidas. Para marcar presença no show do metaleiro Ozzy Osbourne no mês que vem, negociou um adiantamento de salário. O gasto foi de R$ 200. “Não dá para perder”. No dia 5, Tatiane parte em excursão com mais 50 pessoas para São Paulo. Mas esta paixão arrebatadora não se limita apenas a algumas aventuras. Os verdadeiros fãs se vestem e, em muitas vezes, até se comportam como seus ídolos. Está aí a explicação para o visual sombrio de Tatiane, que abusa das blusas pretas, calça jeans e coturno. “É um saco quando vou comprar roupa. As blusas sempre têm brilho, lacinhos, borboletinhas e eu odeio essas coisas”. Seu amigo Douglas Santos, 19, também é fã de Ozzy. Como Tatiane, está contando os dias para a partida e, dessa vez, espera conseguir se comportar. No último show que assistiu, da banda Iron Maiden, escondeu uma câmera fotográfica, proibida na ocasião, dentro de um saco de pão de forma. “Tirei o miolo dos pães e levei a máquina lá dentro. No meio do show tirei ela de lá e ninguém viu. Foi uma loucura, mas valeu a pena”.

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