Percebam: um único fabricante de caixas de Franca, responsável pela produção de 6 milhões de unidades por ano, de poucos anos para cá viu mudar parte considerável do perfil de seus compradores; de fábricas de calçados de grande porte, parte para redes varejistas de venda de calçados, com suas próprias marcas; parte para distribuidores detentores de marcas consolidadas que pulverizam seus produtos por pequenos varejos.
Segundo informações, 35% da produção anual de caixas personalizadas em Franca têm hoje a marca de empresas varejistas e distribuidoras. Dentro das embalagens, outro segredo: as linhas de calçados seguem as tendências presentes nas principais vitrines internacionais, trazidas pelos varejistas e, em sua maioria, não desenvolvidas por modelistas das indústrias.
A maioria destas empresas mantém compradores nos principais pólos calçadistas nacionais. Portam os modelos que pretendem e buscam micros e pequenas indústrias para fabricá-los. Seguem o processo, concordam com os custos da produção, fiscalizam tudo e têm, garantido, o jogo de cintura capaz de manter as vitrines das lojas que atendem ao rigor da moda.
Luís Antônio Guagnelli, gerente de vendas da Cartonader, disse que direcionava 90% de sua produção destinada a marcas próprias de redes varejistas de até alguns anos, para grandes indústrias locais. O restante era pulverizado entre quinze e vinte micros e pequenas indústrias. Hoje, “tem-se o inverso”. Varejistas, de marcas próprias, ficam com a maior parte para venda no mercado interno e alguns em países do Mercosul.
Serop Bamboukian, que trabalha com “marca própria” e dirige um escritório de representação de calçados na capital, costuma comprar cerca de 20 mil pares/mês de calçados da indústria francana utilizando este esquema. Três fatores o conduziram à decisão de deixar de contratar produções com grandes indústrias e procurar micros e pequenas: “o atendimento, a logística e a facilidade de adaptação das esteiras de trabalho”.
Segundo ele, “os atacadistas que fornecem para pequenos lojistas não compram em quantidades que demoveriam as grandes indústrias a produzirem suas encomendas antes da fabricação de suas próprias linhas. Os pequenos, que não têm linhas próprias, fazem isso”. A possibilidade de ter esteiras de produção dedicadas é o segundo fator. “Quem fabrica sandálias pode fazer botas. O que faz a diferença é a capacidade de empreender do pequeno fabricante”. Por fim, a logística. “Não há riscos. Escolhemos indústrias próximas de nós e o produto chega sempre a tempo”.
Mas ainda há gargalos. Existe a necessidade de acompanhamento direto do comprador junto à linha de produção para o controle de qualidade. E há muita informalidade contratual. Para ambos os lados, ainda vale o “fio de bigode”. A indústria pode falir se não cumprir religiosamente o combinado. E a marca do atacadista “pode fazer água”, se não conseguir entregar no prazo acordado.
O setor se adapta. Vida diferente para micros e pequenos que, trabalhando pulverizados, formam “a grande empresa”, dezenas de esteiras produzindo para o sucesso de uma única marca. Sucesso para os varejistas e distribuidores. Preços mais praticáveis nas vitrines. Empregos. As marés se sucedem.
ESTILISTAS E MODELISTAS
Para quem quer se manter atualizado sobre as principais tendências de cores e formas para as próximas estações sem, contudo, investir altos valores, uma boa opção é o endereço eletrônico www.abeca.org., da Abeca (Associação Brasileira de Estilistas de Calçados e Afins). A entidade acaba de lançar novo site e o direciona a associados, estudantes, estilistas e demais profissionais ligados à moda. Destaque para o “Glossário” que traz mais de 200 palavras-chave do universo da moda.
MERCADO ATRAENTE
Em 2007 a Alemanha importou 482 milhões de pares de calçados brasileiros. A participação do Brasil no mercado aumentou, de 2006 para 2007, em 43,9%. O preço médio do calçado nacional também: 14,86 euros por par (mais de 20 dólares). Os asiáticos continuam dominando quando a questão é preço: seus produtos têm 50% do mercado alemão, a 6,70 euros o par. O preço do produto brasileiro é maior do que os dos calçados espanhóis e portugueses e similar aos italianos.
ORIENTE MÉDIO
A saúde dos pés e as inovações são os principais atrativos para o importador dos países árabes, segundo Paulo Elói Grings, diretor comercial da Piccadilly. Seus últimos lançamentos visam lançar mão de novas tecnologias para agregar o conceito de saúde ao calçado e têm obtido ótima aceitação no mercado árabe. O uso dos benefícios dos raios solares infravermelhos longos (IVL), aplicado aos produtos da marca, têm sido amplamente utilizado pelas indústrias de colchões. Segundo sua avaliação, este mercado pode proporcionar crescimento de até 10% para a marca em 2008.
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