Avenida Hélio Palermo: o córrego é o limite


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SEM PROTEÇÃO - Vista geral da Avenida Doutor Hélio Palermo: córrego sem parapeito provoca graves acidentes todos os meses. Prefeitura diz não ter recursos para resolver problema
SEM PROTEÇÃO - Vista geral da Avenida Doutor Hélio Palermo: córrego sem parapeito provoca graves acidentes todos os meses. Prefeitura diz não ter recursos para resolver problema
Asfalto ruim, veículos em excesso e motoristas imprudentes. Ao lado, um córrego sem a mínima proteção. Esta combinação tem transformado o ato de trafegar pela Avenida Hélio Palermo numa atividade de alto risco. O resultado é o crescente número de carros que mergulham nas águas do Córrego dos Bagres. A sorte tem evitado acidentes fatais, mas contratempos, como prejuízos materiais e pessoas feridas, são freqüentes. Em janeiro, um pedestre morreu após cair no leito. A situação é mais crítica no trecho entre a Rua Evangelista de Lima e o Pronto-socorro “Doutor Janjão”, sentido Centro/bairro. A pista da esquerda é uma verdadeira armadilha. Se não bastassem os estragos causados pelas enchentes nas margens, a sinalização precária e a ausência de dispositivos de segurança deixam os motoristas em constante perigo. A única divisão entre a pista e o córrego é uma minúscula calçada de menos de um metro. Num trecho de aproximadamente três quilômetros, a partir do Janjão, nem a calçada existe. O asfalto termina justamente na encosta do córrego. “Sinceramente, tenho medo de passar pela pista da esquerda. Se algum veículo te fechar ou tocar no seu carro, você vai parar dentro do rio mesmo. Não tem escapatória. Quando estou com minha família, sempre procuro me manter na faixa da direita para evitar problemas”, comentou o funcionário público, Marcos Euclídes Coelho. Bombeiro há mais de 20 anos, o sargento Ismael já perdeu a conta de quantas vezes esteve no local para resgatar vítimas que mergulharam com seus veículos no interior do córrego. “Praticamente, todos os meses é registrada alguma ocorrência do tipo. A situação é perigosa mesmo e tende a se complicar nos dias de chuva. Acredito que defensas poderiam reduzir o número de acidentes. Enquanto as obras não são feitas, recomendamos que os motoristas tomem cuidado”. Durante a semana, dois carros caíram no interior do Córrego dos Bagres. Na noite de domingo, uma Pampa despencou nas proximidades do pronto-socorro. Já na terça-feira, o adesivador Klevernon Eduardo de Oliveira, 28, teve sua Saveiro atingida por um Opala ao tentar cruzar a Hélio Palermo, altura do antigo Shopping do Fabricante, e foi arremessado nas águas. Sofreu apenas escoriações, mas seu carro ficou danificado. “É um susto tremendo. A avenida não tem segurança alguma e os motoristas que passam pelo local sempre correm risco”. No dia 17 de janeiro, um homem aparentando 65 anos caiu no córrego, na altura do Jardim Paulista, ao se desequilibrar quando caminhava próximo à margem. Se machucou e morreu afogado. Ele foi sepultado dias depois como indigente, pois familiares não compareceram ao IML (Instituto Médico Legal) para fazer o reconhecimento do corpo. PESSIMISMO Se depender da Prefeitura é provável que acidentes continuem acontecendo ao longo da Avenida Hélio Palermo. A administração promete fazer o alargamento do canal e consertar os estragos causados pelas chuvas no trecho compreendido entre as ruas Evangelista de Lima e Afonso Pena, mas a licitação para escolher a empresa responsável pelas obras, prevista para o fim de fevereiro, foi impugnada. A Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que que não tem previsão de instalar muretas de proteção em toda a extensão da perigosa avenida. “O custo é muito alto”, justificou.

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