Lágrimas, olhares atentos e uma expressão de tristeza. Assim reagiu o público de 1,5 mil pessoas na manhã de sexta-feira, no salão paroquial da Igreja São Judas Tadeu, na Vila Nova, durante a encenação da Paixão e Morte de Jesus Cristo. O evento começou às 8h40 e durou duras horas. As 14 passagens que marcam os últimos momentos de Jesus foram representadas pelos integrantes do Grupo Jovens Em Cena. Intérprete de Cristo, Éderson Josué de Oliveira Matos, 26, sapateiro, chegou a apanhar de verdade.
A dramatização foi conduzida pelo frei Joaquim Camilo Alves, vigário paroquial da São Judas. As cenas aconteceram nos corredores do recinto e num palco improvisado com um cenário que remetia a uma gruta. Houve utilização de efeitos especiais e cantos para dar mais vivacidade às cenas. “Uma encenação como essa ajuda a resgatar a religiosidade do povo e nos recorda a crucificação de Jesus na Sexta-Feira Santa”, ressaltou o sacerdote.
Na via sacra, Jesus foi condenado, recebeu uma coroa de espinhos, chicotadas, caiu com a cruz três vezes, encontrou com sua mãe Maria e acabou crucificado. Em pé e com os olhos lacrimejantes, o auxiliar de motorista José Augusto, 52, acompanhava a tudo atentamente. “Todos os momentos são fortes e não tem como segurar a emoção”.
A dona de casa Ana Cristina David de Oliveira, 37, também não conseguiu segurar as lágrimas no momento em que Maria abraçava Jesus. “Por ser mãe e já ter perdido um filho me emociono bastante. Sei como é esse sofrimento”. Para a jovem Camila de Oliveira Ferreira, 16, que interpretou Maria pela primeira vez, a responsabilidade de viver a mãe de Jesus Cristo foi grande. “Me apeguei a Nossa Senhora nesses últimos dias para poder conseguir transmitir todo o seu amor e sofrimento”.
No total, 70 jovens participaram da encenação. Os ensaios duraram dois meses. Somente para a preparação do cenário e dos figurinos foram dedicados 20 dias. “É gratificante ver a reação das pessoas. Tentamos deixar a encenação o mais real possível para passar a mensagem da Sexta-Feira Santa”, disse Ítalo Fábio Silva, 23, coordenador da encenação.
Para Éderson Josué de Oliveira Matos, que viveu Jesus pelo quinto ano consecutivo, é preciso concentração e uma entrega total ao personagem. “Algumas chicotadas chegam a me acertar, além disso, as quedas são verdadeiras. Na hora, como estou com o sangue quente, não sinto nada. As dores e os vergões surgem depois, mas sei que valeu a pena, pois o intuito de emocionar as pessoas e fazer com que elas se sintam chamadas para uma nova vida foi alcançado”.
Neste domingo, a programação continua intensa para os fiéis. Às 5h30, haverá uma procissão com Cristo ressuscitado na Catedral. Em Batatais, haverá fogos de artifícios e a encenação da ressureição no Cemitério da Saudade.
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