Exercite seu cérebro


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Pronto para conquistar a Europa, destruir o exército do Iraque ou, quem sabe, dominar o mundo todo? Para os apaixonados e viciados pelo jogo War, concluir esses objetivos é fácil. Basta algo de sorte, muita estratégia e raciocínio. Mas essa diversão vai muito além do que os fissurados podem imaginar. Jogos de tabuleiro e quebra-cabeças ativam o cérebro e estimulam o raciocínio hipotético, ou seja, produz raciocínio capaz de criar várias possíveis respostas para uma determinada questão. Além disso, sua memória fica cada vez mais afiada. Então, se você não conseguiu lembrar o nome daquele velho amigo com quem cruzou no shopping dias atrás é bom começar a exercitar o cérebro. Mas calma. Fazer isso nunca foi tão divertido. Um neurocientista japonês, chamado Ryuta Kawashima, do Instituto do Desenvolvimento, Envelhecimento e Câncer da Universidade Tohoku, em Sendai (norte de Tóquio), acredita que games estratégicos, inclusive de computador, estimulam um melhor funcionamento cerebral. Trocando em miúdos, a pessoa começa a ficar mais atenta com determinado assunto, tem capacidade de armazenar o maior número de informações na memória e processa a informação mais rapidamente. A reportagem entrevistou dois profissionais da área de neurologia de Franca e, ambos, confirmaram o estudo. A neurologista clínica Thaisa Mourão de Mattos, do Hospital Unimed, revelou, ainda, que também há outros benefícios que provêem dos jogos. Se a pessoa praticante ou adepta de um desses jogos sofrer um Alzheimer, por exemplo, terá mais tempo para sentir os efeitos. “Se estiver com 60 anos, mas com uma reserva cerebral boa, ou seja, que tenha exercitado o cérebro na juventude, a falta de memória pode manifestar somente aos 65 anos”, disse, deixando um alerta que não existe uma relação de causa e efeito entre jogar e não ter a doença no futuro. “Não há estudo científico que comprove isso. Os jogos podem retardar algumas doenças e outros tipos de demências. Quando um paciente muito culto sofre de Alzheimer é mais difícil diagnosticar, pois ele conta com outros recursos para suprir os esquecimentos”, garante Thaisa. Mas o que acontece no cérebro e o que tem nesses jogos que faz a pessoa ficar mais esperta? O neurologista da Unimed, Samuel Almeida Filho, explica que quando a pessoa raciocina para jogar, força, de certa maneira, o cérebro e, automaticamente estimula células nervosas a desenvolver atividades que contribuem para uma melhoria no funcionamento cerebral, deixando a pessoa mais atenta. “Jogar é como treinamento físico que melhorar a musculatura. O cérebro é como computador. Quanto mais dados você dá a ele, mais estimula a funcionar de maneira satisfatória”, disse Samuel. O professor de Direito Manoel Cordeiro da Rocha, o Baiano, é apaixonado por jogos de estratégia. Entre os mais comuns como xadrez, banco imobiliário, quebra-cabeças, jogo da vida e palavra cruzada, ele tem seu preferido: o War - jogo de guerra em que os jogadores têm de conquistar países. “Houve uma vez que fiquei 12 horas jogando sem parar. É um jogo apaixonante”, disse. O sentimento é tão grande que Manoel foi além. Gastou R$ 2 mil e mais de um ano construindo um tabuleiro gigante de madeira. “Eu mesmo pintei o mapa, à mão. Comprei os soldados e caminhões de guerra e até criei algumas regras diferente do War original. Agora que está pronto, estou pensando em fazer um campeonato”. Que tal agora você pegar sua agenda, ligar para os amigos e marcar um jogo na sua casa? Não perca tempo. Exercite seu cérebro.

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