Das 22 cidades com mais de 300 mil habitantes no Estado de São Paulo, Franca é a que possui o maior número proporcional de jovens trabalhando com carteira assinada. São mais de 18 mil pessoas com idades entre 17 e 24 anos empregadas na cidade. O total representa 27,06% dos trabalhadores formais e coloca Franca no topo do ranking do emprego jovem.
Os dados fazem parte de um levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) divulgado pelo Ministério do Trabalho e que serviu de base para a elaboração do “Diagnóstico sobre a qualificação do emprego e trabalho no Estado”, feito pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho e Fundação Seade.
Para Aécio Flávio Lemos, professor de economia da Unifran (Universidade de Franca), especialista em Recursos Humanos, a forte presença do jovem no mercado de trabalho em Franca (acima, inclusive da média estadual) se deve, principalmente, ao fato de a cidade ser um pólo universitário regional. “Aqui a oferta de jovens para ocupar vagas é muito grande. Boa parte deles está, inclusive, em formação, o que interessa às empresas que buscam um profissional mais atualizado”.
O também professor de economia e diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, aponta outro fator como decisivo para o alto número de jovens no mercado. “Aqui, em Franca, o industrial prefere contratar um jovem menos experiente do que um profissional já gabaritado. Tudo por causa do salário. O jovem aceita trabalhar por menos. O profissional quer um bom reconhecimento”.
Para o secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, a grande presença dos jovens é justificada pela busca de uma espécie de renovação natural da mão-de-obra. “As empresas querem sempre inovar. Um dos caminhos é justamente contratando jovens com mais fôlego e disposição”.
Estela Martins, 19, estudante de arquitetura, e Rodolfo Alves Martins, 20, estudante de engenharia civil, fazem parte da massa de jovens trabalhadores. Os dois atuam na Marka Sistemas Construtivos, empresa no ramo da construção civil, há mais de um ano e dizem que, para quem tem alguma formação acadêmica, o mercado é muito promissor. “O número de empresas interessadas em contratar jovens só cresce. Um exemplo disso é a quantidade de ofertas que recebemos na faculdade. Até a última quinta-feira, tinham 24 empresas oferecendo vagas”.
Para eles, o maior ganho ao entrar para o mercado de trabalho mais cedo são o aprendizado e a qualificação.
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