Regozijei ao ler sua coluna sobre educação (leia a coluna de Edward de Souza em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=27574). Interessante notar que existem pessoas que ainda se importam. Lamentavelmente, mesmo quem pode fazer algo pela educação anda de mãos abanando. Vi com desgosto matéria no jornal Hoje, da Rede Globo, tratando do citado incidente no colégio do interior de São Paulo. Na ocasião (se não me engano), o secretário de Educação disse que isso era pontual e que o problema estava com as escolas mesmo. Sandra Annenberg, a apresentadora, não ficou muito satisfeita com o comentário e cutucou o convidado sugerindo que talvez o problema pudesse estar com as famílias... Edward. As escolas, a partir de um determinado momento, tornaram-se responsáveis pelos deveres que eram dos pais, mas não receberam também os direitos sobre os jovens. As punições são sempre pouco severas e servem mais para irritar os professores do que educar os alunos. Quando a questão se estende às escolas particulares, o problema fica camuflado e só muda de cara. É uma verdadeira guerra fria. Alunos respondões (sic) são bajulados pela escola, que mira o bolso dos pais ao invés da mente de seus estudantes. Quando comecei a dar aulas, tinha o sonho utópico de mudar o mundo. Hoje, mais experiente, redirecionei-o: não quero mais mudar o mundo e sim, quero conscientizar meus alunos. Quero estimulá-los à reflexão, ao exercício do pensamento, à resistência. Sou professor de História e Filosofia. Sou cristão, condição que talvez incomode, já que muitos abandonaram a crença em Deus. Não foi só a Pátria que foi abandonada; Deus também foi. Não existem mais identidades. Não existem paradigmas em nome de uma sociedade livre e científica. Estamos tão livres que nos tornamos reféns da própria liberdade. Obrigado por sua coluna. Sugiro que um dia o senhor disserte sobre as milhões de obrigações que foram impostas aos professores e que agora os impedem que dedicar-se com maior afinco à educação e ao aluno. A montanha de papel que temos que preencher significa uma burocracia burra e retrógrada. Dia desses um aluno meu escreveu em meu Orkut que tem em mim um espelho; que admira minha garra... Não me vejo assim, mas, se consegui estimulá-lo a pensar assim, talvez esteja valendo o esforço. Não quero ser profeta, mas a julgar pelo andamento da carruagem, em pouco tempo teremos menos visionários e sonhadores nas salas de aula. No dia em que este grupo desistir não haverá dimensão para o prejuízo desta nossa grande nação.
Rodrigo Udo Zeviani
é professor e leitor do Comércio da Franca
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