Nem mesmo nós, latino-americanos, escapamos à prática trazida por europeus em 1700. Desde o advento dessa “Páscoa”, que incentiva a crença num mito em que coelhos e seus ovos (de chocolate), protagonista e seu produto artificial figuram majestosamente possuindo pensamentos e paladares de multidões.
Houve um tempo que o chocolate era usado como moeda pelos astecas que comercializavam o alimento gerando rendas. Com exceção do “coelhinho da páscoa”, o comerciante asteca já sabia muito bem o valor do produto alimentício e de seus efeitos estimulantes, afrodisíacos, energéticos e capaz de causar sensação de bem-estar, qual a uma droga.
A idéia de comércio é antiga. Apenas sofreu adaptações, com a junção de aspectos religiosos para melhor exploração do quinhão. Esse tipo de ligação multilateral entre fatores é puramente mercadológico. O homem se ajusta a continuar perseguindo seus objetivos comerciais mesmo que tenha de se utilizar do Sagrado. A busca do lucro se dá a qualquer preço...
A palavra “chocolate” é de origem grega e significa “comida dos deuses”. Já o “coelho” e seu “ovo” significam a fertilidade. Daí a pergunta: o que essas influências pagãs têm a ver com um Brasil que tem maioria cristã?
Nada contra coelhinhos orelhudos e seus ovos de chocolate que fazem a alegria de crianças, adultos e, claro, de um ávido comércio. Mas quando isso ganha espaço, ameaçando o verdadeiro sentido da Páscoa; substituindo Cristo pelo jocoso coelho e seu ovo, algo está a exigir reflexão...
A Páscoa dos cristãos significa renascimento, a vitória de Cristo sobre a morte, e morte de cruz. O sacrifício divino por amor à humanidade jamais poderá ser desprezado ou substituído por lendas fantasiosas e guloseimas que chegam a ser ultrajantes.
Embora muitos não consigam ter a concreta percepção do momento histórico-comemorativo que representa a Páscoa, surgirá o tempo, seja pela dor causada por adversidades da vida, ou pela idade que galopa rumo a velhice do corpo; em que se dará o despertamento ao Sagrado.
E isso, finalmente, proporcionará respostas às questões sublimes, pois intuirá o homem disposto a ponderar com seu coração, ser chegada a hora de reaproximação com o seu Criador. Páscoa é vida, a ressurreição de Cristo!
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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