Abençoada seja esta quinta-feira! Não é feriado, como era antigamente - se bem me lembro. É ponto facultativo para alguns, enquanto outros trabalham. Mas o dia está morno, com cara de folga. Estou pensando na Páscoa, que, como outras datas, é criticada pelo consumismo desenfreado. Tudo vira chocolate e peixe nessa época. Isto é a sociedade em mudança, e há que se adaptar, ou são sinais de uma crise profunda?
Por que as pessoas não se empolgam mais com a Páscoa? Antigamente - na época de outrora, sabe?, aquela que os tempos não trazem mais - todos ficavam felizes quando a Páscoa se aproximava. As lojas faziam decorações mirabolantes, as pessoas elaboravam planos do que fazer na data, as crianças escolhiam seus ovos com base no sabor (e não no brinquedinho que vem dentro), as famílias se reuniam... Era tudo tão mais mágico, tão mais meigo.
Verdade que hoje os ovos de chocolate estão custando os olhos da cara, e que os diet, para os diabéticos, mais caros ainda! Certo que o bacalhau e os pescados estão pela hora da morte, expressão que sempre me intrigou.
Mesmo assim é gostoso poder presentear com chocolate, oferecer nosso carinho envolvido em celofane e papel metalizado colorido, um ato que nos faz crianças novamente, desembrulhando delícias, desvendando o que há dentro dos ovos, mesmo já sabendo o que se irá encontrar. Será que ainda é assim para todos ou é um traço infantil, imaturo que persiste em mim?
Nesse período cristão recordo minha infância, quando meu irmão e irmãs buscávamos os ovinhos coloridos nos sapatos que deixávamos enfileirados no corredor de acesso aos nossos quartos. Sapatos à espera da vinda do coelhinho. Não, amigos... Não errei o texto. Não é um texto de Natal. Era nos nossos sapatos que meus pais colocavam nossos ovos de Páscoa. Não sei se era assim em todas as famílias ou se era uma criação deles mesclar o ritual pascal com o natalino. Bem mais tarde é que meus pais adotaram a brincadeira de esconder os ovos de chocolate pela casa ou no fundo do quintal, ovos da Kopenhagen, que não tinham os preços proibitivos de hoje.
Tradicional mesmo era a familiar bacalhoada da Sexta-Feira Santa, regada a muito azeite português, batatas pré-cozidas com folhas de louro, pimentões vermelhos, azeitonas verdes, no melhor estilo da culinária portuguesa, acompanhada de um arroz branquinho.
Ritual e fervor também nunca esquecidos eram as cerimônias da Semana Santa, com três procissões: a da madrugada, acompanhando Jesus ao Horto das Oliveiras; a procissão mostrando Cristo carregando a cruz e, por fim, a procissão da Ressurreição, que era linda, com pombinhas sendo soltas, os paramentos religiosos agora brancos e dourados, não mais roxos, cânticos triunfais, acordes gregorianos, o intrigante latim nas orações e o tocar de trombetas. Fatos como esses se perderam nos anos, mas os guardei no coração e gosto de relembrá-los, principalmente na Semana Santa.
Com ou sem chocolates, com ou sem azeite e bacalhau, que a comemoração Pascal esteja em cada um de nós. Que seja um rito de passagem para um tempo novo, revigorado, renovando a Vida e a Fé, preparando-nos para um renascer interior, de crença numa humanidade melhor e verdadeiramente fraterna. Feliz Páscoa!
MALHAÇÃO DO JUDAS
Sábado de Aleluia é dia de malhar o Judas. Cada vez mais restrita, essa tradição continua sendo seguida em Franca, graças aos esforços do amigo Thomaz Tardivo, que há 52 anos realiza a queima do traidor de Cristo. Thomaz começou a malhação de Judas no ano de 1956, no antigo bar São João, na esquina da estação de trens, época da saudosa Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Em 1963 Thomaz Tardivo, com o irmão Jácomo, continuou a tradição um pouco mais abaixo, no Bar Minerva, na Voluntários da Franca, também na Estação, ali ficando até 1981, quando então transferiu a malhação do Judas para o Clube dos Bagres, onde continua até hoje. Thomaz Tardivo, de forma satírica, ironiza os políticos brasileiros e no testamento a ser lido ao meio-dia desse Sábado de Aleluia, 24 pessoas, entre empresários, comerciantes, jornalistas e radialistas são homenageados com os bens deixados pelo Judas, desde cueca, brincos, relógios, até iate. Os companheiros Valdes Rodrigues e Paulo Roberto Verzola foram os que saíram melhor esse ano, sendo agraciados com uma fazenda e um apartamento, respectivamente. Para mim não sobrou nada, mas fico na fila para o próximo ano.
NEGATIVO
Decepcionante a visita a Franca do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. O chefe da segurança no Estado não passou nem perto da cadeia do Jardim Guanabara, parcialmente destruída pelos presos durante mais uma rebelião. A pressa do secretário em sair da cidade gerou comentários, entre eles o de que teria comido peixe estragado, como os jogadores da Francana, e corrido para encontrar um sanitário mais próximo. Será?
POSITIVO
Excelente o trabalho colocado em prática pela Guarda Municipal no centro de Franca, auxiliando pedestres a atravessar as ruas com segurança. Idosos e crianças são os mais beneficiados.
OVOS COLORIDOS
Época da Páscoa, dos ovos coloridos. O galo estava preocupado, ouvindo o pessoal falar da Páscoa, nos ovos de Páscoa.
Chegou o dia. Encabulado, o galo entrou na casa e foi lá ver os ditos ovos.
Levou o maior susto. Tinha ovo vermelho, azul, amarelo, verde...
Não conversou, saiu de casa e foi lá fora dar um pau no pavão.
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