Até agosto de 2007, o manobrista Álvaro da Silva, 41, recebia um salário de R$ 500 por mês para sustentar a ele, a mulher e os sete filhos de 14, 9, 8, 6 e 3 anos mais as gêmeas de dez meses. A situação já era complicada, mas há sete meses, ficou ainda pior. O chefe da família se afastou do emprego para acompanhar o tratamento do filho Rhyan, 3, que luta contra câncer no olho esquerdo. Desde então, os Silva têm vivido com apenas R$ 112 do programa Bolsa Família e só têm alimentos na mesa porque recebem doações da igreja.
Com a renda que têm, o casal conta com apenas R$ 3,73 por dia para cuidar das nove pessoas da casa. A mulher de Álvaro, a dona de casa Elaine Cristina da Silva, 32, disse que não trabalha porque precisa cuidar dos sete filhos. “Eles são muito pequenos. As caçulas têm apenas dez meses e precisam da minha atenção”. O marido, por sua vez, passa a semana inteira fora de Franca. Rhyan faz radio e quimioterapia no Centro Infantil Boldrini, em Campinas, a 300 quilômetros.
Álvaro e filho deixam a cidade no domingo à meia-noite e seguem na van da Prefeitura até Campinas, onde se hospedam no apartamento de um amigo. O retorno só ocorre na sexta-feira. “Ele precisou se afastar do emprego para essas viagens. Mas com isso a situação apertou. Só não faltam coisas aqui em casa porque a Igreja São Pedro nos ajuda muito. No começo do ano, foi muito difícil porque tivemos de gastar com os materiais escolares das crianças”, disse Elaine.
Desde que soube da doença do filho, o casal tenta conseguir um BPC (Benefício de Progressão Continuada) no INSS. “Ainda não foi liberado. Estamos apresentando a documentação, porque é uma renda importante e que aliviaria nossa situação”.
Por causa do câncer, Rhyan necessita de alimentação especial. A criança consome Nutren 1.0. A lata custa R$ 36 em média. “Custa caro. Ele toma cinco mamadeiras por dia. Uma lata dura quatro dias”. A família só tem o suplemento porque ganhou 17 unidades após participação no programa do radialista Marcelo Valim, na Rádio Difusora. “O que tem deve durar até o fim do mês que vem”.
MAIS UM DRAMA
O pequeno Rhyan é vítima de um tipo de câncer chamado retinoblastoma, na retina dos olhos. A descoberta aconteceu em agosto de 2007 depois do garoto ter uma infecção nos olhos. Quando o diagnóstico foi feito, já estava com 55% da retina comprometida pelo tumor. No Centro Infantil Boldrini, em Campinas, foram feitas a retirada do olho esquerdo e colocação de uma prótese, mas o tumor voltou e em janeiro deste ano a prótese foi retirada. A criança está em tratamento novamente contra o câncer.
As sessões de radio e quimio devem continuar pelos próximos três meses. Depois Rhyan poderá colocar outra prótese e isso preocupa sua mãe. A primeira foi doada por voluntários de Campinas, pois custa R$ 600 e a família não pôde comprar. Mas talvez ela não seja reaproveitada. “Teremos de adquirir outra, mas não sei como vamos fazer porque é caro. Pensei em fazer pizzas ou rifar algo para conseguir alguma verba. Dinheiro, nós não temos”, disse Elaine.
O garoto se sente incomodado sem o olho. “Ele costuma perguntar por que todo mundo tem dois olhos e ele só um. A prótese ajudaria ele a ficar mais tranqüilo em relação a isso”.
Quem quiser ajudar a família pode levar as doações à Rua Alberto Leite Lemos, 1470, na Vila Marta.
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