O número de postos de trabalho criados pelo setor industrial na região de Franca está em queda. No período de 2002 a 2006, as vagas na indústria tiveram crescimento médio anual de 6,1%. No ano passado, o ritmo de criação de empregos formais caiu pela metade, atingindo o índice de 3,8%. A constatação é do estudo “Diagnóstico sobre a Qualificação do Emprego e Trabalho no Estado”, feito pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho e Fundação Seade.
Divulgado ontem, o relatório não apresenta números absolutos a respeito da região de Franca, mas dados do Ministério do Trabalho, que serviram de base para o diagnóstico, revelam que a cidade tem hoje 31.425 trabalhadores na indústria e uma geração anual de 1.760 novas vagas até 2006. Já no ano passado, essa média caiu para 1.194, o que significa uma redução de 566 postos de trabalho.
Enquanto o ritmo de novos empregos na indústria cai, o setor da construção civil começa a ganhar destaque na região. Nos últimos cinco anos, a média anual de crescimento de 8,7% foi em boa parte impulsionada pela quantidade de empreendimentos criados na cidade nos últimos anos. Só para se ter uma idéia, o setor tem 1.317 trabalhadores empregados e uma média de 114 vagas abertas anualmente.
Para o secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, a explicação para a desaceleração do setor industrial está no fato de Franca ser um pólo exportador, que sofre com a concorrência internacional. “A moeda real está se valorizando frente ao dólar e a produção sofre com essa mudança, apesar da indústria francana estar resistindo e procurando outras opções”.
O secretário disse, ainda, que Franca necessita de uma diversificação na economia local para que a mesma não fique sujeita às oscilações de mercado. “Há necessidade de diversificação e a agroindústria, por meio do biocombustível, pode ser uma boa opção”.
Embora o setor esteja encolhendo, a indústria de Franca ainda é a principal geradora de empregos, com destaque para a indústria calçadista e de produtos alimentícios. No Estado de São Paulo, apenas a região de Araçatuba tem características semelhantes. “Sozinha, a indústria da região responde por 39% dos postos de trabalho formal. É muita coisa”, disse o secretário.
Para o professor de economia da Unifran (Universidade de Franca), Aécio Flávio Lemos, a desaceleração na geração de empregos no setor industrial é constante ao passo que a produção perde competitividade no exterior. “Estamos exportando as vagas de emprego para a China e os Estados Unidos. Em razão da desvalorização do dólar, há uma maior entrada de produtos estrangeiros e isso acaba afetando a produção interna e fechando vagas”.
Lemos acredita que, independentemente do ritmo decrescente, a situação pode ser revertida com o aprimoramento tecnológico e o estímulo ao consumo interno. “É preciso investir em tecnologia e pesquisa. Temos que nos esforçar para não sermos vencidos pela concorrência e, para isso, precisamos crescer em educação, nos qualificar e também procurar uma diversificação industrial”.
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