A dona de casa Márcia Angélica Pinheiro Borges Caldas nunca gastou tanto dinheiro com sal como atualmente. O motivo não é a quantidade de comida que está fazendo e sim o grande número de caramujos que rondam sua casa, na Vila Tótoli. A situação, segundo ela, se deve principalmente por causa de um terreno baldio com mato alto, ao lado de sua casa. Acionada, o setor de vigilância ambiental da Secretaria de Saúde não teria tomado providências.
A rua onde Márcia mora, a Antônio Alves Taveira, está infestada do caramujo africano, que chega a medir oito centímetros de comprimento. A mesma reclamação é feita pelo gerente de banco José Roberto do Nascimento Neto, que mora três casas a baixo da de Márcia e que também tem como vizinho de parede um terreno com mato alto. As maiores preocupações deles são as doenças que podem ser transmitidas pelos caramujos.
“Eu não agüento mais lavar isso aqui. Eu jogo muito sal neles depois lavo com sabão e água sanitária. Isso é todos os dias”, disse Márcia. “É uma rua com muitas crianças. Eles podem querer brincar com isso e estamos preocupados com a situação do terreno, que está muito sujo”, diz José Roberto.
Tanto a dona de casa quanto o bancário comentam que já acionaram a Prefeitura para tentar resolver o problema, mas muito pouco foi feito. “Nós ligamos lá, falamos da quantidade expressiva de caramujos que vemos aqui, mas a Prefeitura disse que era para esperar que eles notificariam o dono do terreno, para limpá-lo”, disse José Roberto, que afirmou ter encontrado mais de 20 caramujos nas paredes de sua casa. “A limpeza não se concretizou. A atuação deles está extremamente lenta, deixando a desejar”.
Caso o problema não se resolva, comenta o gerente, um abaixo-assinado está entre as medidas que os moradores esperam tomar para pressionar a Prefeitura.
O chefe da Vigilância em Saúde do município, Fernando Baldochi, nega que não esteja dando a atenção necessária para o assunto e diz que os caramujos estão sendo acompanhados desde o ano passado. “Nós temos ido lá. Tem uma equipe nossa acompanhando porque realmente há uma infestação de caramujos no bairro”, afirmou Baldochi. “Teremos que fazer um serviço conjunto com a Secretaria de Obras e Serviços Municipais, pois vamos precisar colocar cal para tentar resolver o problema.”
O problema, aponta Baldochi, não é exclusivo da Vila Tótoli e nem mesmo de Franca. “Caramujo hoje é uma praga urbana”. A eliminação, disse o técnico, deve ser feita manualmente.
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