Bairros de contrastes


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Com as chuvas dos últimos dias, a Avenida Monteiro Lobato ficou praticamente intransitável com lama, buracos e poças d’água
Com as chuvas dos últimos dias, a Avenida Monteiro Lobato ficou praticamente intransitável com lama, buracos e poças d’água
Monteiro Lobato, Mário de Andrade e Manuel Bandeira são alguns dos escritores brasileiros a batizar as ruas do Bairro Miramontes, na ponta norte de Franca. Os endereços abrigam cenas bucólicas que remontam a bairros rurais. Num dos pontos mais tradicionais da região, a capela pequena e singela, a praça, um pomar com laranjeiras e bananeiras em plena avenida e as ruas com paralelepípedo ou de terra batida desenham o cenário. Para a dona de casa Luzia Cruz, 82, que nasceu e foi criada no Miramontes, o bairro mais antigo de Franca, é um privilégio ter residência nesse endereço. “Gosto daqui. Meus sete irmãos nasceram ali na rua de baixo, aqui criei meus 11 filhos e hoje cuido dos meus netos e da família que tem casa tudo perto”. Luzia mora em frente à Igreja Santa Cruz e ontem se lembrou orgulhosa que o seu pai ajudou a construí-la. “Tinha uns 4 anos quando começaram a fazer. Hoje tenho dó de mudar do bairro e deixar para trás algo que meu pai ajudou a fazer”, disse ela, que se mudou para a roça por um período, mas voltou a morar no Miramontes. “Só nesta casa aqui (na Rua Manoel Bandeira) moro há 50 anos”. No vizinho City Petrópolis, os moradores também não têm vontade de mudar de bairro, mas reivindicam melhorias, como áreas de lazer, equipamentos de saúde e mais segurança. “É bom aqui. Me acostumei com o bairro. É bom ter toda a família perto e encontrar farmácia e supermercado próximos”, disse a sapateira Suzana Rodrigues, 25, que vive no Petrópolis há 12 anos. Nos predinhos, porém, a realidade é diferente. O conjunto da CDHU é o segundo mais antigo de Franca e possui 587 apartamentos. Vivem no complexo cerca de 1.800 moradores. A turma entrevistada ontem disse estar descontente com a falta de infra-estrutura e privacidade do local. “Não temos liberdade morando nos apartamentos. No bairro, há muitos problemas com traficantes. Até há policiamento, mas não resolve. Quero me mudar ainda neste ano. Tenho filha moça e não quero criá-la aqui”, disse a pespontadeira Valdete Santos, 45. A principal queixa, citada por todos os entrevistados ontem, foi a falta de asfalto em alguns trechos. Os prejuízos causados pela ausência de pavimentação foram mais sentidos desde a semana passada com as chuvas constantes. A Avenida Monteiro Lobato, de terra, está lotada de buracos e lama. “Isso é uma vergonha. Vivo quebrando o carro e estragando os pneus aqui”, disse a comerciante Eliana Cavalini, 30, que entrega pães na região. O LADO BOM O City Petrópolis abriga a Escola Técnica Estadual “Professor Carmelino Correia Júnior”, o Colégio Agrícola, que é exemplo do ensino público que funciona. Próximo à escola, existe o Jardim Zoobotânico. Muitos moradores desconhecem a área, que existe há 50 anos e onde é desenvolvida uma série de atividades. Dentre elas, a produção e distribuição de mudas de árvores para reflorestamento e plantio na área urbana, pesquisas, estudos com pau-brasil e palmito, cultivo de ervas medicinais e visitas agendadas monitoradas. Os visitantes podem conhecer uma área remanescente da Mata Atlântica com diversas espécies vegetais e animais, como peroba, jequitibá, sapucaia, pacas, capivaras, micos, etc. [FOTO2] Em 2007, o Zoobotânico recebeu 3 mil visitantes. Os números poderiam ser maiores. “O ambiente é pouco conhecido. É um surpresa para quem chega e descobre esse cenário dentro de Franca. Dentre nossas metas está a divulgação mais intensa daqui, mas para isso precisamos de uma equipe maior de funcionários para atender à demanda com visitas devidamente monitoradas”, disse Cláudio Sandoval, engenheiro agrônomo e responsável pelo Núcleo de Educação Ambiental do local. O Petrópolis ainda concentra outra região verde e arborizada. Na Avenida São Pedro, pinheiros gigantes fazem sombra e servem de passagem para moradores. A região, mais precisamente o Miramontes, é endereço de outro ponto importante na cidade. O prédio da fábrica de calçados Dharma, que fechou na década de 1990, se transformou nos Pavilhões da Fenafic (Feira Internacional de Couros, Máquinas e Componentes para Calçados), realizada no segundo semestre. MUDANÇAS O Dom Bosco, novo conjunto habitacional, deve ser inaugurado na região em junho de 2008. Serão mais 192 apartamentos. Os atuais moradores dos bairros já estão preocupados com aumento da população. Hoje, a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Parque do Horto atende toda a região. “Já é complicado. Precisamos de uma UBS aqui no City Petrópolis com urgência”, disse a doceira Lucimara Rodrigues, 24. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, foi procurado para falar sobre a possibilidade de instalar o equipamento no bairro, mas não respondeu ao recado deixado com sua secretária. A secretária de Planejamento Urbano, Valéria Marson, também não retornou o recado para falar da pavimentação e possíveis medidas para aliviar os estragos causados pelas chuvas.

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