Com câncer, Roberto espera há 20 dias por remédio


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Roberto Menino, 35, mostra a ordem judicial que lhe garante medicação de alto custo
Roberto Menino, 35, mostra a ordem judicial que lhe garante medicação de alto custo
Há exatos 20 dias, um homem espera que o Estado cumpra uma determinação judicial: compre o remédio que pode salvar sua vida. Roberto Menino tem 35 anos e sofre de câncer no intestino. Já foi operado e, para se livrar de vez da doença e ter uma vida normal, precisa do medicamento Avastin E.V. Como não tem recursos para comprá-lo (por mês, teria de desembolsar R$ 36,9 mil), Roberto recorreu à Justiça. No dia 28 de fevereiro, o juiz Rogério Bellentani deu a ordem para que o fornecimento fosse feito pelo governo do Estado. Até hoje, Roberto espera. O vigia mora com a mulher e a filha de dois anos na casa dos sogros, no bairro City Petrópolis. Por conta da doença, parou de trabalhar e passa a maior parte do tempo em casa. Desde que passou por cirurgia, em abril de 2006, utiliza uma bolsa de colostomia (para o recolhimento das fezes). Disse sentir muitas dores e, para aliviá-las, utiliza morfina. As náuseas e vômitos também são contidos por remédios. “Tomar esses medicamentos é a única opção que tenho hoje. Mas sei que apenas eles não resolvem meu problema. Preciso mesmo é da quimioterapia”, disse. O tratamento de quimioterapia teve de ser suspenso em dezembro de 2007, após Roberto sofrer uma reação alérgica. O único medicamento que ele poderia utilizar no tratamento é o Avastin E.V, prescrito pelo médico e ainda não providenciado pelo Estado. “Desde a determinação do juiz, tenho ido duas vezes por semana e ligado, no mínimo, três vezes para a farmácia do DRS (Departamento Regional de Saúde). Não sei mais o que fazer e a quem recorrer. Estou preocupado com minha saúde”. O oncologista Gustavo do Couto Rosa, médico que acompanha Roberto, disse que o tratamento com o Avastin é fundamental para evitar que a doença atinja outros órgãos. Segundo ele, Roberto está com doença avançada e ativa. “Ele fez uso das duas linhas de quimioterapia que o SUS permite, mas não deu resultado. O Avastin atua no tumor dele e pode ajudar a bloquear a doença. Só que, infelizmente, o medicamento não está no programa do SUS”. Procurada pelo Comércio, a Secretaria de Estado da Saúde, que deveria fornecer o remédio a Roberto, respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que a medicação será liberada na próxima semana. O promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges disse que, caso o medicamento não seja disponibilizado, o advogado de Roberto deverá noticiar a recusa do DRS ao juiz para que ele tome as devidas providências.

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