Desmatamento e mentiras


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O desmatamento da Amazônia verificado constantemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a contestação do governador do Mato Grosso foi alvo de grande debate mundial, isso porque o Brasil era visto como exemplo de combate ao desmatamento e às emissões de CO2. O que o governo federal talvez constate é que a diminuição do desmatamento deveu-se à queda do preço das “comodities”, agora com a recuperação dos preços... A preservação da Amazônia deve ser um assunto urgente na agenda nacional já que para que as árvores recuperem o espaço desmatado demora de 40 a 100 anos, mas para que a diversidade seja restaurada, estima-se em até 400 anos. Alguns pesquisadores dizem que nunca mais, se pensarmos na micro-flora e microfauna, há muitas espécies regionais que uma vez extinta, acabou-se. O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, explicou que há diferentes processos de desmatamento. O corte raso, que é intensivo e rápido e é o mais comum, e a degradação progressiva, em que a madeira é retirada e depois há a queima total. No final, planta-se uma gramínea africana resistente ao fogo. O corte raso é o processo final de desmatamento e é o que o Inpe mede, por ser mais objetivo. O Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) é um sistema que usa imagens de resolução moderada, capturadas a cada três dias. Além disso, de 15 em 15 dias, a equipe do Programa de Monitoramento Ambiental da Amazônia faz um inventário sobre o que parece ser desmatamento novo e envia para o Ibama (www.obt.inpe.br/deter). O problema é que algumas áreas são muito nubladas, o que provoca uma demora na observação. O diretor do Inpe explicou que o único erro do Inpe foi, em 2007, contar duas vezes uma área que já havia sido detectada. E enfatizou que o Deter não errou nem erra na detecção. O Inpe planeja novos satélites para cumprir esta missão importante, o CBERS-3 e o CBERS-4, que utilizarão quatro câmaras cada, serão lançados em 2009 e 2011; o Amazônia-1, que terá uma órbita equatorial permitindo observações da Amazônia a cada 90 minutos deverá ser lançado em 2010, se o governo fizer os investimentos necessários e corrigir os erros feitos nos últimos dois anos. E para resolver definitivamente o problema da invisibilidade, o Inpe projeta, juntamente com os alemães, o MAPSAR, um satélite equipado com Radar, o que permitirá ver através das nuvens e também à noite. O lançamento está previsto para 2013, para desespero daqueles que promovem o desmatamento ilegal. MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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