O título acima pode até soar estranho, mas a verdade é essa. O corpo fala mesmo. Inspirado no livro com o mesmo nome, dos escritores Pierre Weil e Roland Tompakow (Ed. Vozes, 1990), é possível constatar essa afirmativa. A comunicação ou a expressão de sentimentos não se resume ao que sai da nossa boca. Os olhares, os movimentos faciais, dos braços e do corpo como um todo, também são meios de se expressar.
E apesar de muita gente não saber, profissionais de recursos humanos há tempos vêm se especializando em decifrar os códigos que o corpo emite, fundamentais para interpretar o candidato a uma vaga de emprego, por exemplo.
A reportagem do Se Liga conversou com quatro pessoas que trabalham na área de psicologia ou como supervisores de recursos humanos na tentativa de conhecer os “erros” mais comuns cometidos durante uma entrevista de emprego. Foram citados a ansiedade e o nervosismo como principais características de quem enfrenta o temido bate-papo. Os profissionais afirmaram que, estando assim, a pessoa pode, facilmente, esquecer até do endereço onde mora. Mas relaxe, eles reconhecem o momento da tensão e, muitas vezes, perdoam essas gafes.
“Dificilmente usamos esse tipo de atitude como motivo de eliminação ou contratação. Nessas situações, é comum o candidato tremer, suar e ficar com o coração disparado. O melhor é respirar e se acalmar”, disse a gerente de seleção e carreira do Magazine Luiza, a psicóloga, Mara Amaral, 40. Uma das dicas que pode aliviar o nervosismo é chegar antes da hora marcada. “Assim, o candidato vai se familiarizar com a empresa”, completa.
Outra atitude comum numa entrevista é em relação ao posicionamento das mãos e dos braços. Se não souber onde colocá-los deixe-os em cima das pernas ou da mesa. Fazendo isso, suas mãos vão acompanhar, automaticamente, o assunto que estiver falando. Mas não deixe que os gestos fiquem repetitivos. “Alguns movimentos podem tirar a concentração do entrevistador se for exagerado demais. Às vezes você está dizendo algo bem coerente, mas ninguém irá prestar a atenção por conta deles”, alerta Elizabeth Esposito Freixes, 46, professora da Unifran (Universidade de Franca) e consultora em recursos humanos.
Mas não ache que cruzar os braços resolverá o problema. Quando se faz isso você transmite uma imagem de que não está interessado em ficar ali e que está “fechado” para a conversa. A regra vale também para as pernas. Não fique cruzando e descruzando a todo momento. Isso é sinal de muita tensão.
E para não contribuir ainda mais para essa sensação, nada de ficar sentado na ponta da cadeira, isso significa que você quer ir embora. Toda vez que passar por uma entrevista de emprego encoste as costas e fique o mais confortável possível na cadeira. Mas também não vá deitar demais e achar que está no sofá da sua casa. Ficar com o corpo ereto é sinal de que você está atento e, com isso, dificilmente perderá o rumo das respostas e nem vai se contradizer.
Aliás, contradição é um pecado mortal em se tratando de entrevista. Tente evitar ficar olhando para baixo ou para cima quando fizerem uma pergunta. Olhe para o entrevistador. Isso passará a ele mais confiança. Caso contrário, achará que está mentindo ou até inventando histórias.
Pronto. Agora que você já sabe um pouco de como deve agir numa entrevista, aquela vaga tão sonhada pode estar mais próxima. Ah, e não se atrase.
*Fonte: Patrícia Leal, supervisora de recursos humanos do Grupo Corrêa Neves de Comunicação; Luciene Vieira Martins, psicóloga e analista de recursos humanos da Unimed; Mara Amaral, psicóloga e gerente de seleção e carreira do Magazine Luiza; Elizabeth Esposito Freixes, professora da Unifran e consultora de recursos humanos.
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