As famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), assentadas na Fazenda Boa Sorte, em Restinga, se uniram para conseguir ganhar dinheiro e implantaram, no fim do ano passado, a Associação dos Pequenos Produtores Rurais para cuidar de hortas. A união deu certo. Juntos, os “pequenos agricultores” produzem 1,5 mil quilos de verduras, legumes e frutas todo mês. O faturamento mensal varia entre R$ 500 e R$ 1 mil por família.
Parte da produção é consumida pelas famílias, mas a maior parcela das verduras e legumes é repassada a nove entidades de Restinga e Franca. “Entregamos em creches, escolas e para o Fundo Social de Restinga e a Apae de Franca”, disse o presidente da associação, Pedro Sebastião da Rocha, 62.
As entidades não pagam nada pelas verduras e legumes. A conta é encaminhada para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão do governo federal, que acompanha o projeto de perto. “Quem recebe assina uma nota de que recebeu o produto e encaminhamos as notas para a Conab, que nos libera o dinheiro”.
No assentamento da Boa Sorte, o projeto das hortas reúne 46 famílias do grupo de 60 que moram na Agrovila II. “Cada uma dessas famílias cultiva uma horta. Agora estudamos a possibilidade de criar uma horta coletiva”, afirmou Rocha.
Cada produtor escolhe o tipo de produto com o qual vai trabalhar. Tem de tudo: alface, couve, berinjela, quiabo, abóbora, cebolinha, maracujá, goiaba, banana, milho e até bucha. “A cada 15 dias, os produtores entregam a produção na sede da associação. Tudo é pesado e embalado. Nós também somos os responsáveis por entregar os produtos nas entidades”, disse Rocha.
A assentada Rosemeire Nunes Ferreira, 23, é uma das que aderiram ao programa. Ela e a família passam o dia cuidando da horta que ocupa boa parte do lote. “Esse projeto é muito bom para os assentados. É a única forma de ganharmos dinheiro. Se não fosse a horta, não teríamos como nos sustentar”, disse Rosemeire.
A cada 15 dias, Rosemeire entrega 370 maços de alface e couve na sede da associação. “A horta está dando certo. A nossa única dificuldade é quanto à água para irrigar as folhagens. Como não tem córrego perto, tivemos que furar um poço artesiano”.
Para Pedro Rocha, as demais famílias do assentamento devem entrar no projeto. “Elas estão vendo que está dando certo e que o pessoal está ganhando dinheiro”. Além da procução de hortifrutis, as famílias assentadas na Boa Sorte também comercializam leite, doces em compota e pães.
LANÇAMENTO
Apesar do projeto estar em pleno funcionamento, o lançamento oficial do programa de hortas só acontecerá hoje, na Casa da Cultura de Restinga. A cerimônia está marcada para as 10 horas e reunirá o presidente da Conab, Wagner Rossi, e um dos diretores, Silvio Porto. O evento terá ainda a presença dos assentados e do prefeito de Restinga, Amarildo Thomas do Nascimento (PMDB).
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