Boate no Centro é interditada por falta de segurança e alvará


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EMBARGADA - PM durante fiscalização em boate no sábado. Operação resultou na interdição da casa Overnight
EMBARGADA - PM durante fiscalização em boate no sábado. Operação resultou na interdição da casa Overnight
Sexta-feira, 14 de março, 23h30. Dezenas de jovens entre 14 e 18 anos lotam a Rua Saldanha Marinho, no Centro. Eles esperam por mais uma balada na boate Overnight. Nos arredores, os moradores inconformados com o que seria mais uma noite de barulho, acionam a Polícia Militar. Quatro viaturas chegam ao local. A presença da Polícia e a chuva forte não espantam os jovens. A PM exige a apresentação do alvará judicial que permite a entrada de menores no local, já que eles são maioria. O promotor do evento não dispõe do documento. A festa é suspensa. Um a um, o público deixa a porta do salão. O cenário acima, com a fiscalização e batida nos documentos dos menores, era para ser a ação mais importante da noite de sexta-feira, mas não foi. Na boate, os policiais militares encontraram inúmeras irregularidades que colocavam em risco a vida dos freqüentadores. Chamaram fiscais da Prefeitura e Corpo de Bombeiros para vistoriarem o prédio. “Foi preciso a presença desses órgãos porque verificamos que a casa não oferecia nenhuma condição de segurança ao público”, explicou o capitão da PM Alexandre Wellington. Era 0h30 quando a secretária de Planejamento Valéria Marson lacrou as portas da boate. Os motivos: falta de iluminação, de extintores de incêndio, da botoeira do dispositivo do alarme, além de objetos pontiagudos espalhados pelo salão. Como estava chovendo, a secretária constatou ainda vazamentos de água no teto. “Existiam mesas fixas em que os tampões foram arrancados, deixando expostas as ferragens. Se houver um tumulto e uma pessoa for jogada sobre esses ferros, pode morrer. O teto também pode desabar com tantas goteiras. Diante dessas irregularidades, achamos por bem interditar”, disse Valéria Marson. Além da interdição pela Prefeitura, o Corpo de Bombeiros suspendeu o alvará de funcionamento da boate. O proprietário não chegou a ser multado, mas terá que fazer todas as adequações se quiser voltar a funcionar. Entre elas o isolamento acústico do local, já que uma das reclamações constantes dos vizinhos é em relação ao barulho. Procurado em seu telefone fixo por seis vezes ontem, o proprietário da Overnight não foi encontrado. Matheus Oliveira Pires, promotor de eventos, aluga o espaço aos sábados e domingos, e disse que o salão está sendo adequado conforme as exigências do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, até quarta-feira, o prédio estará pronto para voltar a funcionar. “Temos um show no sábado com o André, que é ex-vocalista da banda Bro’z, que inclusive já pagamos. Estamos fazemos o possível para atender às exigências”, disse. Não foi a primeira vez que a boate Overnight sofreu interdição. Em 2005, depois que Paulo Rogério Mazali, 22, foi assassinado a tiros na porta da boate, a casa de shows foi proibida de realizar qualquer tipo de evento. Neste ano, o local voltou a ser cenário de um crime. Um rapaz entrou armado na boate e efetuou três tiros em direção a sua ex-namorada. “Nós não temos segurança por aqui. Quando não é a algazarra dos jovens, são as brigas. Além do som que vaza e não nos deixa dormir”, disse um morador, que pediu anonimato. MENORES A fiscalização na Overnight, que tinha por objetivo principal flagrar menores, foi realizada em outras duas casas de shows na noite de sexta-feira e madrugada de sábado. No Centro, na boate Montana, a Polícia Militar encontrou seis menores de 16 anos. Todos foram levados para o Plantão Policial e o Conselho Tutelar foi acionado. Na Estação, a boate ContraMão também foi fiscalizada, mas, de acordo com a Polícia, não havia irregularidades. No mês passado, a ContraMão ficou interditada por 15 dias após uma fiscalização da Promotoria da Infância ter flagrado menores de 16 anos se divertindo na madrugada. “Ela (a boate) já tinha sido condenada uma vez e pagou multa. Ao repetir a irregularidade, foi interditada”, disse o promotor Augusto Arruda Neto. Segundo Augusto, o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a presença de menores em boates e congêneres. “A presença só pode acontecer se o menor estiver acompanhado de um responsável e se houver a liberação de alvará pelo juiz da Infância”.

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