Por litro de leite tipo C, de saquinho, a Prefeitura de Franca paga R$ 1,55. O valor é 25% mais caro do que o menor valor encontrado no varejo em supermercados, varejões e padarias da cidade, R$ 1,21. Quando a comparação é feita com o preço praticado no atacado por dois grandes laticínios da região (Jussara e Zanetti), a diferença chega a 29%. Também é mais caro do que o pago por outras prefeituras da região que compram o mesmo tipo de leite.
O leite tipo C vai para a merenda escolar dos estudantes de ensino fundamental, médio e de creches mantidos ou auxiliados pelo poder público municipal. Por ano, a estimativa da Secretaria da Educação de Franca é que sejam consumidos 220 mil litros.
Segundo o edital de Compromisso de Fornecimento, a empresa responsável pela venda do produto é Cerfrios Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. ME. A própria empresa, em um orçamento para a compra de 20 litros por dia (quantidade bem inferior à adquirida pela Prefeitura, que é de mais de mil litro no mesmo período), apresenta um preço mais em conta para o litro do leite: R$1,50.
Se a prefeitura fosse comprar em padarias e supermercados da cidade o leite usado nas escolas, em vez de adquiri-lo por meio de licitação, a economia para os cofres municipais ultrapassaria os R$ 74 mil por ano.
Procurado para comentar a diferença de preços no leite da merenda, o secretário de Administração e Recursos Humanos e responsável pela Copel (Comissão Permanente de Licitações), Jerônimo Sérgio Pinto, se esquivou, dizendo que não tinha competência técnica para afirmar se o preço pago pela Prefeitura estava acima ou abaixo do mercado. “Quem vai dizer se está alto ou baixo o preço do leite é o setor de merenda da secretaria de Educação”, disse.
A secretária da Educação, Leila Haddad, por sua vez, disse que a diferença de preço nesse caso ocorre porque as empresas têm que entregar direto nas escolas. “São cento e poucos pontos (154 escolas e creches). Então, isso aí é o custo de ser entregue no local”.
Na Cerfrios, ninguém foi encontrado na tarde de ontem para comentar a diferença de preços entre o oferecido à Prefeitura e o praticado no mercado privado.
Colaborou Marcos Junqueira
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