Feiras regionais nos pólos calçadistas


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Empreendedores francanos anunciaram oficialmente, semana passada, a realização de uma nova feira de couro e calçado em Franca. Volta-se a discutir, portanto, a orfandade da cidade, enquanto pólo industrial internacionalmente conhecido, como sede de evento capaz de interessar à pedra-de-toque de sucesso de iniciativas similares: o lojista. A cidade foi a sede da Francal, um dos mais importantes eventos coureiro-calçadistas do mundo e que, ao início da década de 1980, foi transferido para a capital paulista. As razões que levaram Miguel Heitor Bettarello – à época o presidente do evento – a contrariar a voz corrente de que a Francal deveria ficar aqui apesar do constante decréscimo anual de expositores e lojistas e retirá-la da cidade foi a inexistência de infra-estrutura adequada (hotelaria, vôos, vida noturna) e a localização francana, à margem da Anhangüera, na Portinari, rodovia secundária no complexo viário paulista. Ele quase foi execrado, mas, no ano seguinte, primeira edição na capital, realizada no Hotel Hilton, teve comprovado o acerto de sua decisão: o número de expositores cresceu e o de lojistas acompanhou. Hoje, a Francal é internacional e divide, com a Couromoda (que se realiza em janeiro), o interesse dos lojistas brasileiros e importadores de vários países do mundo. A gestão da empresa, no entanto, jamais deixou de lado a intenção de voltar a promover algo em Franca. Na Europa, feiras regionais garantem custos mais baixos para lojas que não integram redes e espaço adequado para micros e pequenas indústrias que não têm capital suficiente para participar das feiras nacionais ou internacionais, competindo com as grandes indústrias. Mas não o fez. O espaço para eventos no pólo produtor francano permaneceu e permanece aberto. Franca tem condição geográfica privilegiada, no coração daquela que se considera uma das regiões mais representativas do País. Se pensarmos em 300 quilômetros em volta, temos todo o Triângulo Mineiro, o sul do Goiás, o Mato Grosso do Sul e o Nordeste do Estado de São Paulo. Alto poder aquisitivo define o espaço ocupado por centenas de empreendimentos varejistas de calçados, bolsas e acessórios e poder de compra muito adequado. Não é necessário que um evento aqui instalado pretenda imantar todo o País. Se concentrar seus esforços de comunicação na região descrita, certamente alcançará sucesso em edições subseqüentes e se plantará como importante centro de fomento à reposição de estoques de vitrines. No entanto, é na contramão destas estratégias que as experiências aqui realizadas se sucederam. Na década de 1990, dois empreendimentos pretenderam a nacionalização e não passaram de duas edições. A Alta Empreendimentos anuncia a mais nova experiência no setor. À inauguração, trouxe um diretor do Sindicato das Indústrias de Juazeiro do Norte, no Ceará, e falou sobre parceria com a ABLAC (Associação Nacional de Lojistas de Artefatos e Calçados), visando, sem dúvida, percorrer os caminhos da nacionalização de expositores e lojistas. Não é preciso! Passa da hora de investir na indústria mais próxima, dar-lhe condições de visibilidade e ajudar na promoção de seus produtos. Esse é o caminho. De resto, o mercado consumidor regional saberá incentivar evento que permita compras adequadas, de qualidade e preço condizentes, perto de casa. À Alta Empreendimentos não faltará experiência para acertar. Integra sua gestão o publicitário Getúlio Alberto de Oliveira, dono da agência de propaganda que atendeu a Francal e algumas das principais indústrias de calçados francanas e regionais por muitos anos. Se ele errar, não será por desconhecimento. A NOVA FEIRA A feira anunciada pela Alta será realizada nos pavilhões da Fenafic – nome de outro evento do grupo – ao princípio de setembro. O PERÍODO Os períodos em que se concentra a entrega de pedidos fechados na Couromoda, que acontece em janeiro, vai de fevereiro a maio; na Francal, que ocorre em julho, entre agosto e outubro. Há necessidade de reposição de estoques em junho e em novembro. Os lojistas normalmente não compram sem conhecer o que a próxima feira nacional lançará e este é outro paradigma que o novo evento de Franca terá de quebrar. E MAIS Esta é a hora de valorizar os pequenos. Em Franca, de 16 indústrias calçadistas de grande porte, restam apenas 3. De 300 micros e pequenas que existiam há dez anos, hoje são fabricantes de qualidade e bom preço. Este universo precisa de espaço, profissionalização, visibilidade e concentração de esforços de vendas. Precisam de feiras regionais. Esta é a hora e este é o caminho.

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