Ressurreição e Vida


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Aproximam-se as comemorações da Páscoa e, com elas, muitas reflexões são suscitadas. A festa é de origem judaica e era um momento culminante nas comemorações do povo judeu. Nela se ofertavam as primícias das colheitas, dos rebanhos, enfim, de tudo o que o povo humilde produzia, e era ofertado ao Templo. Como narram os Evangelistas, Jesus foi preso pelos soldados romanos, que representavam a autoridade e sob o controle do Sinédrio, especialmente de Anás e Caifás, que eram os primazes do Templo. Como estava se aproximando a parasceve, isto é, o dia da preparação que se dá nas sextas-feiras, já que o costume hebreu determinava que no sábado nada se fizesse, Anás e Caifás providenciaram para que o Mestre fosse crucificado na sexta-feira para evitar que no sábado nada se consumasse, respeitando a tradição. Conhecemos todo o drama do Calvário e as profundas lições que dali dimanam. Quando Jesus entregou o Espírito a Deus, cumprindo as escrituras, José de Arimatéia e Nicodemos providenciaram a retirada do corpo do Senhor do madeiro e o devido sepultamento, que não se fazia à semelhança do modo ocidental. Sepultava-se na rocha e os sacerdotes providenciavam a devida lacração, com o selo sacerdotal. Assim foi feito com o corpo do Mestre. E, para que não surgisse nenhuma surpresa, Anás e Caifás pediram a Pilatos a guarda palaciana já que Jesus havia prometido ressuscitar no terceiro dia. E a guarda palaciana ficou diante do túmulo cedido por José de Arimatéia. Dia e noite. Em vigília, porquanto, qualquer erro seria punido com a morte. No dealbar do domingo, as mulheres - as Marias - foram orar no túmulo. Em lá chegando, houve um tremor seguido de relâmpagos e um anjo estava na porta do túmulo anunciando: ‘Não está aqui, ressuscitou!’ Sem dúvida, o epitáfio mais glorioso de toda a humanidade. É este o fato mais importante do Evangelho. Não há outro que se lhe equivalha. Sem ele, toda a pregação seria uma farsa, uma mentira. Ele que diferenciava Nosso mestre de todos os outros luminares que pervagaram pela Terra. Os outros foram consumidos pelo pó, pois que vieram do pó. Com Jesus, porém, é diferente. No dizer de Emmanuel, pela luminosa psicografia de Francisco Cândido Xavier, “no túmulo do Senhor não há cinzas humanas!”. Jesus, o Senhor da Vida era a própria vida. São palavras suas: “Vim para que tivésseis vida e vida abundante!”. “‘A Vida eu a tomo e retomo quando bem entendo. Este é um dom de meu Pai”. Assim, o Cristo dominava a vida. Materializava-se e desmaterializava-se quando bem queria. Espírito puro, dominava todas as Leis da Matéria. Produzia os fenômenos por ação de sua poderosa vontade. Imperava sobre os fluídos, combinando-os pela vigorosa ação da Sua Mente. E ressuscitou como prometera, solidificando entre os seus seguidores a certeza de que era o Cristo, o Salvador, o Enviado por Deus para orientar a humanidade. Para nós, espíritas, a ressurreição é a prova inconteste da Pureza do Cristo, da certeza da imortalidade e a comprovação das promessas do Senhor. Quanto ao ovo de Páscoa, isto é tradição. Até porque, coelho não bota ovo. Representa a vida, apenas. FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)

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