Uma verdadeira novela que se arrasta há dez meses. A troca preventiva de hidrômetros realizada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) em Franca continua causando transtornos à própria empresa. De cem substituições programadas para serem feitas por dia, metade não é realizada em função da negativa dos moradores. A justificativa apresentada é que com os novos aparelhos há aumento no consumo de água. A Sabesp admite o aumento, mas com ressalvas.
As trocas estão autorizadas por lei e, segundo a Sabesp, são necessárias porque, com o passar do tempo, os aparelhos perdem a precisão de leitura. “O hidrômetro é como um relógio, tem uma vida útil (de 5 a 10 anos), além disso, esse tipo de aparelho também passa por modernizações”, disse Rui Engrácia, gerente distrital da empresa.
Engrácia explicou que serão trocados 30 mil hidrômetros; destes, 20 mil já foram substituídos. A troca ocorre em toda a cidade, principalmente em bairros mais antigos onde os aparelhos estão mais defasados. A substituição é gratuita e acontece na mesma hora. O serviço é realizado por funcionários terceirizados da empresa.
Diante da primeira negativa do morador, uma nova tentativa acontece por meio de uma carta explicativa. “Enviamos uma carta onde informamos a nova data para a troca e explicamos o motivo dessa substituição do hidrômetro”.
Caso a troca seja negada de modo insistente pelo consumidor, a Sabesp é autorizada por lei a cortar o fornecimento de água da residência. Entretanto, esse tipo de ação ainda não foi utilizada. Antes, também, é necessária autorização judiciária.
Desde o início dos serviços no ano passado, a Sabesp estima que 500 novos hidrômetros deixaram de ser instalados por recusa dos moradores. Não há prazo para encerramento das trocas. “A troca depende muito da aceitação da população. O hidrômetro tem um tempo de uso e a substituição precisa ocorrer para que haja uma justiça tarifária”, justificou Engrácia.
Para o gerente distrital, o aumento do consumo registrado pelo novo hidrômetro está condicionado à leitura correta realizada pelo aparelho. “A pessoa estranha porque antes o hidrômetro não realizava a leitura com precisão, mas todos são previamente testados e aprovados pelo Inmetro”.
A Sabesp diz gastar R$ 50 por aparelho trocado e que o investimento, de R$ 1,5 milhão, aproximadamente, foi financiado por um convênio com a Caixa Econômica Federal.
A DEFESA
Diante das reclamações dos moradores contra os aumentos de consumo de água registrados depois da instalação dos novos hidrômetros, a Procuradoria de Defesa do Consumidor de Franca abriu inquérito civil para testar o funcionamento do aparelho. A perícia no equipamento está sendo feita em São Paulo e o promotor Carlos Henrique Gasparotto aguarda resultado do laudo. “Atendendo à legislação, a troca é válida e deve ser cumprida. Enquanto aguardamos o resultado, oriento a população a evitar confrontos com as equipes da Sabesp, pois a proibição da troca do hidrômetro não contribuirá para resolver o problema”, disse o promotor.
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