Todo trabalhador merece ser remunerado com dignidade, mas o sindicato precisa fazer uma análise mais profunda antes de organizar manifestos como esse. O setor calçadista é essencialmente artesanal, muitas vezes nem chega a ser de fato uma indústria. Mesmo as maiores e mais modernas plantas produtivas requerem intenso trabalho manual. Dada essa característica, o setor é migratório, pois na medida em que o agrupamento social em que ela está demanda melhores condições de vida, os custos produtivos se tornam inviáveis. De Franca, empresas se mudaram para o Nordeste onde a mão-de-obra é mais barata. E lá permanecerá até que também aconteçam demandas por melhores condições socioambientais e financeiras. Em vez de manifesto pelo aumento dos salários talvez fosse conveniente aos trabalhadores unirem os seus talentos aos dos patrões para buscarem uma saída que viabilizasse a atividade para todos, como investimento em tecnologia e o aumento de produtividade.
Djalma Jorge
é leitor do Comércio da Franca
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