Ele era um exemplo de bom filho, de bom moço. Cuidava das obrigações de casa, pagava as contas em dia e era responsável com os compromissos. Reservado e sem vícios, sempre acompanhava a mãe aos cultos de uma igreja evangélica. Músico, chegou a tocar nas celebrações. Era calado, é verdade, mas a educação e simpatia conquistaram a amizade de todos na rua e a confiança dos vizinhos.
Enfim, uma pessoa acima de qualquer suspeita. Este é o perfil de Jonatas Emanuel Costa França, 21, o homem preso terça-feira acusado de abusar sexualmente de crianças.
Não bastassem suas boas referências, era técnico de uma empresa de refrigeração e tinha livre acesso a residências, empresas e escolas, onde efetuava reparos em aparelhos de ar-condicionado. Mantinha um contato próximo e diário com potenciais vítimas.
“Conhecia ele há dois anos. Era muito educado e sempre nos tratou bem. Uma pessoa tranqüila, trabalhadora e que não fazia bagunça em casa. Gostava muito dele”, este relato é de uma vizinha de muro do pedófilo, no Parque São Jorge.
Ela é tia de um garoto de nove anos, morador na Vila Santa Terezinha. Durante o Carnaval, o menino foi passear em sua casa. Como conhecia e confiava no vizinho, não se importou que o sobrinho fosse brincar no computador e dormisse na casa dele. À noite, enquanto estava sozinho com o menino, Jonatas fez sexo oral nele e o beijou na boca. Ainda pediu para o menor colocar o pênis entre suas nádegas. Os abusos foram fotografados pelo rapaz.
“Jamais imaginei que fosse capaz de fazer aquela barbaridade. Foi uma decepção enorme. Não dá para confiar em ninguém, não. Estamos muito revoltados”, disse, arrependida, a tia.
Enviadas por engano para um internauta de São Paulo, as imagens foram parar nas mãos da polícia. Jonatas foi descoberto e preso na terça-feira. Justificou a atitude como “um minuto de bobeira” e afirmou ter abusado apenas do menino. No dia seguinte, outra criança de 12 anos esteve na delegacia e também alegou ter sido abusada pelo pedófilo. O computador do acusado foi apreendido e será periciado para constatar se há imagens de outras vítimas.
[FOTO2]
Um segurança, que conhece a família de Jonatas há sete anos e sempre freqüentava a casa dele, ficou chocado com as revelações e chorou ao ver o amigo sendo preso. “Para todos que o conheciam de perto, foi um susto muito grande. O Jonatas é um cara do bem, estava sempre na igreja, não bebia e não fumava. Pagava as contas em dia e seguia à risca os compromissos. Era reservado. Chegava do trabalho, tomava banho e se trancava no quarto para manusear o computador”.
O amigo da família não soube dizer se Jonatas é homossexual, mas admitiu nunca tê-lo visto com uma namorada. “Agora, depois de tudo o que aconteceu, acredito que ele tenha algum tipo de problema de saúde e que precise de tratamento”.
O pedófilo concluiu o segundo grau e fez um curso técnico. Trabalhava há pouco mais de dois anos em uma empresa de refrigeração. “Era um funcionário normal e não apresentava problemas. Estamos tão surpresos quanto vocês”, disse um colega de trabalho.
A psicóloga Fabiana Zagolin, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), explica que o pedófilo é uma pessoa que tem atração sexual por crianças, aparenta ser normal e procura ganhar a confiança das pessoas a sua volta. “Ele se aproveita da inocência das vítimas. Representa riscos para ele e para a sociedade, mas, principalmente, para as crianças. Para a psicanálise, a pedofilia é uma perversão sexual e não uma doença”.
Jonatas está na cadeia de Pedregulho e pode pegar de seis a dez anos de reclusão se for condenado. Ele morava com a mãe e a irmã em uma casa de cinco cômodos no Parque São Jorge. É um imóvel simples, sem sinais de ostentação. No quarto em que dormia, há um beliche e uma mesinha onde ficava o computador apreendido pela polícia. Na porta de entrada do cômodo, uma placa de madeira com a imagem do personagem Cebolinha ao lado anuncia o nome do dono do quarto: Jonatas Emanuel.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.