Se alguém esperava algum pronunciamento firme ou anúncio de investimento, saiu frustrado. A visita a Franca do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, para a inauguração oficial das novas instalações do IML (Instituto Médico Legal) e do Instituto de Criminalística foi meramente festiva e marcada por discursos políticos. O chefe da segurança no Estado ignorou a situação da cadeia do Jardim Guanabara e deu respostas evasivas quando questionado a respeito. Não passou nem perto do prédio parcialmente destruído pelos presos durante a rebelião.
A solenidade de inauguração aconteceu com quase cinco meses de atraso. Desde o dia 22 de outubro, o IML e o IC já estão funcionando no prédio situado na Avenida Doutor Flávio Rocha, perto da Sabesp. Antes, o atendimento era feito de maneira improvisada em salas da Delegacia Seccional.
O cerimonial da Prefeitura não levou em consideração as condições climáticas e planejou fazer o evento no estacionamento do prédio. Choveu e não havia cobertura. A alternativa foi montar a aparelhagem de som às pressas no corredor de entrada do IC. Foi no lugar, onde cabem 20 pessoas, que cerca de cem se amontoaram para acompanhar a inauguração.
Falaram os três deputados de Franca, o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) e o presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro (PSB), cujo nome batizou as novas instalações do IML e do IC. “Quando comecei na Polícia, em 1964, fazíamos os exames ao ar livre.
Sempre sonhei com um prédio que tivesse as condições mínimas. Hoje, temos uma magnífica casa de perícias médicas. Estou honrado por ter recebido esta homenagem”, disse. Se emocionou ao agradecer o deputado Gilson de Souza (DEM), autor do projeto que aprovou a denominação.
O médico Francisco Sérgio Garcia, responsável pelo IML, disse que toda a região sairá ganhando com a estrutura disponível nas instalações inauguradas ontem. “Temos salas e equipamentos apropriados. É fundamental oferecer um atendimento digno a todos que utilizam dos nossos serviços”.
Durante discurso, o prefeito Sidnei Rocha pediu ao secretário de Segurança Pública que instale em Franca o 6º DP para atender as ocorrências verificadas na região do Jardim Aeroporto. Marzagão prometeu estudar a solicitação. A reivindicação é antiga e já foi criada por decreto. O Estado alega falta de policiais. O deputado Roberto Engler (PSDB) pediu a implantação de um laboratório de toxicologia na cidade. Deverá ser atendido.
Foi só. Ronaldo Marzagão chegou a Franca de avião e seguiu para a inauguração do prédio pela Rodovia Cândido Portinari, até a ponte do Parque Vicente Leporace. Uma hora depois, foi embora. Repetiu o trajeto na saída e passou distante da cadeia. Estava com pressa, mas um imprevisto atrasou sua viagem. Decolou rapidamente, mas não teve como pousar em Ribeirão Preto por falta de teto (mau tempo). Voltou para Franca e teve de seguir de carro até a vizinha cidade.
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