Todos os dias, dia e noite, o telefone do Conselho Tutelar não pára de tocar. Nos fins de semana é a mesma coisa. De denúncias de evasões e faltas injustificadas na escola (94 em janeiro) a maus-tratos (46) e abusos sexuais (3), a cidade toda realiza mais de 500 chamadas, anônimas ou não, com toda sorte de violência contra menores em Franca. Ao todo, cerca de 380 crianças, vítimas das mais variadas situações de risco, são atendidas pelos conselheiros tutelares locais.
Na lista das violências contra a infância ainda estão negligência de pais ou responsáveis (cerca de 100 por mês), assédio sexual (de 3 a 5 mensais), denúncias de trabalho infantil (de 8 a 10), prostituição infantil (5 a 10), alcoolismo (25) e pais toxicômanos (drogados - de 32 a 40). Checadas as situações de risco pelos conselheiros, as crianças são enviadas para a Casa do Aconchego, onde devem receber toda a assistência necessária para serem reinseridas na família (que também passa por um trabalho de reestruturação) ou serem encaminhadas para uma nova família.
“É um trabalho muito cuidadoso e rigoroso, pois as crianças são muito frágeis e são situações delicadíssimas em que elas se encontram”, disse Gláucia Limonti, conselheira tutelar de Franca.
Segundo ela, dentro da Casa do Aconchego encontram-se crianças que esperam pela adoção, outras que aguardam decisão da Justiça para retornarem ao lar ou serem entregues a uma família acolhedora. “Muitas, além da falta de um lar, ainda têm que conviver com traumas recentes, como abandono ou violência doméstica”, disse.
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