Cadeia superlotada, rebeliões, fogo em mobiliário e colchões, tentativas de fuga, prédio caindo aos pedaços. Nada disso foi suficiente para trazer o secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, a Franca. Nos 15 meses de governo José Serra (PSDB), ele nunca pisou em Franca. Mas hoje ele estará presente na cidade para um ato, digamos assim, mais festivo: a inauguração do Instituto Médico Legal.
Será a primeira visita de um secretário da pasta à cidade em mais de dois anos. O último a passar pela terra das três colinas foi Saulo de Castro Abreu filho, no segundo semestre de 2005, ainda no governo Geraldo Alckmin (PSDB).
Sobre os problemas da cadeia do Guanabara, o atual secretário, como em outras oportunidades - ele foi procurado, na última semana, pelo menos em três oportunidades pela imprensa para falar sobre o caso, mas não atendeu aos jornalistas - deve continuar calado. Mesmo a nova sede do IML localizando-se há menos de 500 metros da cadeia do Guanabara, ele não deve, segundo sua assessoria, sequer visitar o local. “Não está prevista a passagem do secretário pelo Guanabara. Sabemos que ele virá na inauguração do IML. Daqui, o secretário cumprirá outros compromissos”, disse o delegado Luis Carlos de Almeida, responsável pela recepção a Marzagão.
Procurado através de sua assessoria para comentar a visita e a situação da cadeia pública da cidade, Ronaldo Marzagão não se manifestou até o fechamento desta edição.
SUPERLOTAÇÃO
Contrastando com o clima festivo da visita, a realidade da segurança pública assusta. A cidade tem a maior cadeia pública do Estado. São 216 vagas. O próprio governo recomenda que, em cadeias públicas, as vagas não sejam mais que cem. Ainda assim não é o único problema. O espaço já chegou a abrigar perto de 500 presos, mais que o dobro de sua capacidade.
Sobre o caso, o promotor de Justiça Paulo Borges chegou a pedir judicialmente, em 7 de março, que a cadeia fosse interditada enquanto não apresentasse condições de abrigar os 216 presos para os quais tem lugares. A decisão da Justiça ainda não saiu, mas o Estado transferiu, desde então, aproximadamente 200 presos do local.
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