Na política, tudo se perde, nada se transforma


| Tempo de leitura: 5 min
Há dois mil anos uma grande diversidade política buscava traduzir os anseios do povo israelense. Profundamente religiosos e tementes a Deus, os israelitas na Palestina se organizavam politicamente de acordo com as leis divinas. A ideologia inspirada no Reino de Deus, traduzida para a humanidade, contemplava principalmente a premissa de que todo o poder deveria ser vivido como serviço. Qualquer desvio, como usar dele em benefício próprio ou para dominar e tiranizar, seria denunciado com o sinal do anti-reino. Servir, como característica divina emprestada ao poder político, não admite acepção de pessoas. Assim, os pequenos, os pobres e os oprimidos teriam os primeiros lugares. Atender às reais necessidades da pessoa humana, dos famintos, dos sedentos, dos sem-teto, dos sem-terra, dos sem-emprego, dos sem-poder, como legitimação para esse exercício político. A política é uma via de mediação e tradução para o povo do exercício do poder que vem de Deus, o que representa uma boa coligação. Política e Fé. No entanto, essas estruturas a partir do livre agir humano vêm perdendo suas origens, graças à autofagia do poder, apartada de seus códigos éticos e humanitários. A fé, por sua vez, sem eficácia, restritiva, dissociada da prática em benefício de uma coletividade, é dever de toda uma coletividade, não restrita a uma classe. As searas de corrupção encontram-se permanentemente abertas a receberem os adeptos do conchavo, favoritismo do corporativismo, cujo conjunto é feito de consciências fracas que se julgam acima do bem e do mal. A política, como vem sendo exercida, tem sido a presença no mundo do “mau objetivo”, enquanto contraditória a sua missão original. A superação desse modelo só pode ser realizada mediante ações revolucionárias que, com meios específicos, transformem estruturas viciadas recriando e redesenhando sua formatação. Isto só será possível a partir do momento que os eleitores conseguirem “separar o joio do trigo”. Esse modelo velho e inútil de política viciada pode ser destruído em “três dias”, como o templo o foi por Jesus, rompendo antigos paradigmas estagnantes, substituindo-a por uma nova sociedade, mais justa e fraterna, missão de toda a coletividade. Os antigos romanos diziam que “o homem é o lobo do homem”, e “o inferno são os outros” afirmava Sartre. No entanto, nossa “esperança continua sendo imortal”. Chegará o dia em que a ânsia de poder, a inveja, o ódio e a vingança serão transformados. Para isso, é preciso subverter o status quo político! Pinchas Lapide no seu “Sermão da Montanha Utopia ou Programa” aponta para projetos sacramentados na Carta de Intenções de Cristo para a Humanidade. A melhor agenda, o melhor protocolo e o melhor Plano Plurianual jamais elaborado! Em Deuteronômio 15,4 promete-se a Israel “não haverá pobres entre vós”. Mas, logo depois se afirma com realismo: “nunca faltarão pobres no teu país”. Para transpor esse fosso, a Torá ordena: “Abre tua mão ao teu irmão, ao pobre e necessitado no teu país” (DT 15,11). Esses, mais do que palavras, precisam das obras positivas do que sabem “abrir a mão”. Por isso que na Política tudo se perde e nada se transforma. Eleições à vista, quem se candidataria a subverter? IMAGINE ALL THE PEOPLE A loucura da paz promove uma revolução a partir do absurdo que o mundo pode entender. “São passos cultivadores da confiança, longe do conflito, rumo à empatia: longe da confrontação, em demanda da cooperação: longe do monólogo autoritário, para concretizar o diálogo em níveis iguais. Um longo e penoso caminho de ações insignificantes e não palavras grandíloquas; mas é esse o preço da grande paz. Acima e além de todas as demais considerações, queremos uma universal e prudente dinâmica de paz que produza o autodomínio, uma mentalidade reconciliadora e o máximo de não violência. Almejamos uma utopia realista que até hoje ainda não perdeu nem sequer um jota de sua atualidade. Pelo contrário, que talvez jamais tenha sido tão atual como agora”. (P. Lapide, Vozes, 1986) BOA NOVA! O artigo sobre abuso sexual de crianças e adolescentes repercutiu fortemente nos segmentos de atenção à Infância e Adolescência. A boa nova é a reestruturação do atendimento do Centro Regional de Atenção à Criança e Adolescente, que em consonância com o Pacto São Paulo, vem desenvolvendo um trabalho de prevenção ainda tímido na cidade. Seus objetivos são intensificar e promover maior abrangência na prevenção à violência, capacitando pessoas e profissionais para a Roda de Conversa que irá iniciar, agora com a coordenação da psicóloga Patrícia, que estará sobretudo reconhecendo e ampliando a rede de voluntários, psicólogos que disponibilizam um horário em consultório para atender o caso. Já existe uma pequena rede que será intensificada. Haydée Maglio, Cristina Archetti, Valéria Balieiro, Eny Stefanini de Souza, fortalecendo a entidade ao lado do padre Jamil Alves de Souza, vigário da Paróquia Menino Jesus de Praga, que não só acolhe o CRAIA em uma das salas da Paróquia, como também assume a presidência da entidade. Não à violência! DIRETO DA PRESIDÊNCIA, LULA E AS MULHERES A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República reúne-se a partir das 9 horas da manhã de hoje com municípios e sociedade civil. Na pauta, a nova metodologia de envio de projetos ao governo federal, para implementação de ações com o objetivo de prevenir e proteger mulheres da violência bem como promover seus direitos e responsabilizar seus agressores. Será no Paço Municipal da Prefeitura de São José do Rio Preto. Prefeito Sidnei Rocha e o Conselho Municipal da Condição Feminina, convidados especiais. Assina a subsecretária de Enfrentamento à Violência, Aparecida Gonçalves.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários