O grande circo da Câmara


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Nada contra a nobre troupe que ainda tenta preservar, nos dias de hoje, a milenar, envolvente e cativante arte circense. Ainda mais se o paralelo de atividades for analisado pelo lado de concentração, treinamento e dedicação para atuar dentro do circo. A atuação não se limita ao espetáculo, como os vereadores. Não tem ajuda de assessor! O artista trabalha sozinho nos bastidores. O sucesso da apresentação depende só dele e do talento individual. Mas o acesso profissional ao circo é diferente. O candidato (seja até mesmo ao cargo de palhaço) não precisa freqüentar batizados, casamentos, velórios e outros eventos normalmente familiares e de ares mais íntimos. O ingresso na carreira ocorre por pura competência e sem muita conversa fiada, acompanhada de tapinhas nas costas e alguns recursos outros, já colocados em prática, com toda excelência, pelos edis da atual Câmara. Atualmente, é até engraçado observar essas cenas! O assédio ao voto anda implacável mesmo sem candidaturas oficiais. E olha que ainda faltam sete meses e uns dias para a eleição. Os atores, ou melhor, os ocupantes da atual Câmara, esquecem-se ou pensam que os eleitores se esquecem das últimas apresentações. Não deixam nem passar uns dias do último drama encenado, na forma de uma ópera bufa, já que ao término da votação pela não cassação, provavelmente, todos comemoraram juntos, sabe-se lá de que jeito! Até o pessoal circense tinha noção do momento de mudar. Alfredo Alves, dono de uma das mais belas vozes de Franca, hoje mostrada para o Brasil todo através da TV Cultura onde atua como locutor-padrão, sempre gostou de ir a circos. Não perdia, principalmente, apresentações de dramas, que equivalem a um espetáculo teatral. Mas pregava o espaçamento de local, para que o público não se cansasse da trama repetida. Que pelo menos o circo saísse da Cidade Nova, mais precisamente da Praça das Bandeiras, local dos mais apropriados para instalação, na época, de picadeiros cobertos de lona e fosse para outro bairro. Pois, nessa nova área, o sucesso seria garantido. Passou-se o tempo. A Câmara foi construída e instalada no antigo campo do Fulgêncio, ao lado da Prefeitura, onde funcionou por muito tempo um órgão bem mais nobre: a Biblioteca Municipal. Esta última legislatura tem se primado por espetáculos sem excelência nenhuma. O último deles então, denigre a imagem de qualquer ator. A quantia exigida para interpretação de divisão de salários, seja entre os assessores ou entre eles e o próprio pagante e até cenas de vias de fatos, sem contar as demais, seria muito grande. Ator ético nenhum as interpretaria pelo valor que tocou aos legisladores. Mas os vereadores vivem a cena. Em ação. Cabe a você, eleitor, mudar os integrantes da casa legislativa francana, ainda este ano, para o próximo mandato. Em tempo, aqui ninguém é candidato a nada. Nem filiação partidária tem. ANTÔNIO ARAÚJO é professor

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