Uma mulher de 32 anos, mãe de quatro filhos pequenos, está desempregada e tem passado necessidades para sustentar a família. A pespontadeira Maria Lúcia da Silva mora numa casa de fundos com três cômodos no Jardim Portinari e sobrevive apenas com doações da igreja, comunidade e R$ 112 do Bolsa Família. O filho mais velho tem 10 anos e não pode ajudar no sustento da família. O ex-marido, de 33 anos, que poderia amenizar as dificuldades, está internado em estado grave no Hospital Escola de Uberaba (MG).
Maria Lúcia e o pai das crianças se separaram em setembro de 2007. Na época, ela foi morar com os filhos na casa de uma irmã e, depois se mudou para a residência de um pastor da igreja, mas precisou alugar um imóvel para ela. “Preciso de um canto para criar meus filhos. Estava morando de favor”. O aluguel é de R$ 170. Para complicar, além de pagar a locação, a pespontadeira está sem emprego fixo desde dezembro. “Só faço bicos. Dezembro e janeiro é muito fraco para calçados. Faz duas semanas que não consigo um par de calçados para pespontar”.
Sem recursos, contas atrasadas e privações na alimentação são inevitáveis. Maria Lúcia tem dois talões de água, que somam R$ 94, um de R$ 76,60 de energia elétrica e as prestações da máquina de pesponto, de R$ 285, atrasadas. “A água pode ser cortada. O próximo aluguel vence daqui a 11 dias e não tenho R$ 1 para pagar. E se atrasar, a imobiliária vai cobrar juros. Mesmo se eu conseguir serviço, não vai resolver porque recebo só nos dias 15 e 30 e o aluguel vence dia 25”.
Maria ainda corre risco de perder o instrumento de trabalho porque o pagamento da máquina de R$ 3,2 mil financiada não está em dia.
Mesmo quando há alimentos em casa, o consumo é controlado. Só de leite, os quatro filhos tomam dois litros por dia. “Controlo quanto cada um toma para não acabar. Eu mesma só bebo quando sobra. Meus filhos sempre pedem: ‘mamãe, pode comer bolacha?’ Tenho de dizer que não tem e quando há controlo quanto comem”, disse Maria Lúcia.
Ganhar doações nem sempre é sinônimo de ter os desejos da mãe e das quatro crianças saciados. No Natal, a família ganhou um chester, mas a carne está congelada há três meses na geladeira porque a pespontadeira não tinha como assá-la. “Meu gás estava acabando. Só pude comprar outro agora porque tirei o dinheiro da conta de água”. Eles só comem carne duas vezes por semana. Ontem, na geladeira, havia uma caixa de leite, legumes, ovos, água e o chester. No armário, ainda restavam arroz e macarrão doados pela comunidade. “Em primeiro lugar, preciso de um serviço que possa ser feito na minha casa porque tenho de cuidar dos meus filhos.
Ainda necessitamos de comida: feijão, óleo, leite, carnes e bolachas”.
PODER PÚBLICO
Maria Lúcia já é atendida pelo Cras (Centro de Referência e Assistência Social) da região Norte. A mãe recebe R$ 112 de Bolsa Família. A Prefeitura também pagaria as passagens de ida e volta para ela visitar o ex-marido no hospital de Uberaba e conseguir com ele uma procuração para receber a aposentadoria por invalidez em seu nome. Mas o rapaz está em coma e não tem como assinar o documento. O benefício é de R$ 836. “Já ajudaria. A única alternativa que tenho é interditá-lo, mas o advogado da igreja que freqüento disse que isso demora no mínimo seis meses. É demorado demais para a situação que estou vivendo com meus filhos”. O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, foi procurado em seu celular, mas não atendeu à ligação.
Doações podem ser feitas na Rua Anésio Rocha, 1342, no Jardim Portinari.
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