O ‘Lepô’ é nosso


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DENSAMENTE HABITADO - Vista de parte da região norte que compreende o Parque Vicente Leporace
DENSAMENTE HABITADO - Vista de parte da região norte que compreende o Parque Vicente Leporace
Supermercados, escolas, farmácias, borracharias, lanchonetes, pizzarias, lojas de celular, roupas e barracas para a venda de milho verde e vidros de pimenta. Além de muitos predinhos, com pintura desgastada e roupas nas janelas, dezenas de salões de cabeleireiro montados em boxes que serviriam para garagem, uma base da Polícia Militar, um ginásio poliesportivo e um trânsito frenético. Para quem não conhece, essa é a Avenida Abrahão Brickmann, principal porta de acesso ao Parque Vicente Leporace e bairros adjacentes da zona norte, uma das regiões mais populosas de Franca. O complexo de bairros tem 20 anos e parece uma cidade à parte. A população do local, inclusive, é maior do que a de muitos municípios vizinhos. São aproximadamente 70 mil moradores distribuídos em diferentes comunidades, mas todas com as mesmas características. Os vizinhos se conhecem, as crianças brincam em áreas de lazer improvisadas e os cachorros descansam no meio da rua. Jogar bola na calçada, soltar pipa, andar de skate e ouvir hip-hop ou os batidões do funk carioca também são outras atividades comuns aos bairros da região. Por ser periferia, o bairro é conhecido - e depreciado - por conta dos “manos” e “minas” que vivem lá. Dados da Vara da Infância e da Juventude, divulgados em fevereiro, mostram que a zona norte é o principal reduto de menores infratores em Franca. Em 2007, dos 1.126 jovens que se envolveram em crimes como porte de drogas e furto, 279 moravam no Leporace, Jardim Luiza e bairros da região. Os moradores não concordam com o título, apesar de reconhecerem a violência. Reunidos em grupos, trabalham voluntariamente para limpar a imagem do bairro e mostrar o lado bom da região. A Associação dos Moradores do Parque Vicente Leporace é uma prova desse esforço. O centro comunitário do bairro está ativo há mais de cinco anos e atende atualmente 230 pessoas com cursos de cabeleireiro, informática, manicure e balé. A maioria das atividades é gratuita ou tem custos reduzidos, apenas para manutenção do espaço. Vera Martins dos Santos Neves, secretária da Associação, diz que o cadastro da biblioteca local tem 462 nomes e é muito procurada por estudantes para pesquisas. “Funcionamos como a voz do bairro. Um local que as pessoas procuram para fazer sua reivindicação, buscar ajuda, fazer um curso para completar a renda”. A diretoria da Associação é formada por 14 membros e recentemente ficou responsável pela administração de duas salas de velório inauguradas no bairro. Prestação de serviços em prol da comunidade também é forte na iniciativa privada. A loja virtual do Magazine Luiza é referência no bairro. O estabelecimento funciona como banco, oferece internet gratuita, além de aulas de capoeira, corte e costura, ginástica e culinária. “Temos um horário diferenciado de funcionamento e um público médio de 500 pessoas por dia que se interessa pelas atividades desenvolvidas no espaço social”, explicou Ricardo Montagna, vendedor especial. Na região também é possível encontrar vendedores de porta em porta, botequins, conversa de comadres nas calçadas, áreas descampadas, córregos com pinguelas, terrenos baldios, casas em construção, hortas improvisadas e até uma fazenda abandonada.

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