Uma das finalidades da democracia é a escolha dos seus representantes, promovendo gente do povo aos cargos políticos pelo próprio povo, certificando a esses eleitos prerrogativas distintas.
Ao que parece, os eleitos pelo povo dissipam o que ainda é benévolo na política. A liberdade, por exemplo, vem sendo confundida com a licenciosidade “manhosa” que infecta aqueles que estão no interior desses ambientes parlamentares. A obediência ao “cartilhaço” para quem vive nesse meio é, via de regra, exceção apenas àqueles que ainda sobrevivem com honradez por força de princípios e caráter.
A escola dissemina as técnicas contidas na cartilha ensinando o “modus operandi” (jeito de agir) para os políticos, métodos esses já ensinados na Grécia Antiga através da “sofística”, uma das correntes filosóficas.
O sofista era contratado para ensinar as técnicas da retórica como meio eficaz de convencimento pelo engodo, tapeação, bajulação e etc., etc., e tal, em processo que objetivava iludir e enganar; onde se ganhava a confiança do público que se descuidava ao abrir mão do senso crítico, deixando ser levado pelas falácias engabeladoras pelos detentores desse “saber”.
Neste século, como noutros passados, a coisa não é diferente, o sujeito nem precisa ser culto para arriscar a aplicação da técnica. Seguindo passo a passo, não tem erro: conseguirá enrolar a muitos.
A melhor escola de formação para os políticos de ideais suspeitos, ainda é, sem dúvida alguma, o ambiente político e seus parlatórios. Similarmente, podemos eleger a exemplo, o ambiente do sistema carcerário, onde o cidadão, ao inserir-se nessa comunidade, evolui surpreendentemente nos conhecimentos específicos “ex-officio” (por obrigação do ofício) para melhor exercer sua “atividade”, considerando as raras exceções de reabilitação.
O fato é que a escola existe. Entre veteranos e calouros, ela alcança sua tradicionalidade, o que não quer dizer que goze de apreço e respeitabilidade por parte de seu povo. Talvez seus atos e deliberações revelem um lado obscuro, comprometedor da lisura e da transparência, tomada de vícios que a descaracterizaram da magnífica incumbência representativa.
Assim, é em meio a esse infeccioso quadro lastimável que se encontra a frágil representação popular... Exige a razão a que encontremos a sensatez e assumamos a “mea culpa” por sermos os maiores responsáveis pela possível preguiça, iniqüidade e leviandade por parte de alguns mandatários que estão doentes, prestes a morrerem (politicamente) como homens que já foram “bons”, tudo por falta de maior perspicácia do eleitor ao depositar seu voto, não percebendo despreparos e acentuadas tendências maroteiras desses pobres diabos que fazem escola neste lindo País abençoado por Deus.
RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integrante do Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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