Profissão: Perigo


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A profissão realmente é perigosa (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=27467) tanto para quem já ficou como refém como para nós, que temos de agir por instinto em questão de segundos para resolver crises que podem culminar em fuga em massa ou mesmo na morte de um amigo, que esteja nas mãos dos meliantes. Nesta última rebelião (leia em http://www.comerciodafranca.com.br/materia.php?id=27323), vendo Simei (de Moraes Brião, carcereiro) nas mão dos presos, me desesperei, mas agi friamente e consegui reverter a situação, tomando o revólver que estava com os detentos. Tenho 16 anos de carceragem e já passei por esse tipo de situação diversas vezes. A mais tensa, por incrível que pareça, não foi dessa vez mas sim quando tive um primo (também carcereiro) brutalmente assassinado nas mãos dos presos na cadeia de Ituverava (SP, em 11 de fevereiro de 2001). Ali refleti muito para retornar a trabalhar na dita “profissão perigo”. A fila anda e a vida continua. Esperemos que as autoridades tomem as rédeas da situação e melhorem as condições de trabalho da Cadeia do Guanabara: poucos funcionários, iluminação precária, falta de apoio. Nós, carcereiros, somos os profissionais que realizam o trabalho mais indesejado da sociedade (façam enquete e comprovem), mas o fazemos com dignidade e honestidade (claro que existem exceções). Continuamos nossa luta. Que venha o CDP de Franca e acabe com o nosso desespero. Cláudio Magalhães é carcereiro no Cadeião do Guanabara

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