Jovens vitimizados não têm para onde ir


| Tempo de leitura: 2 min
Franca não tem um local adequado para abrigar os adolescentes entre 13 e 17 anos em situação de risco ou que não podem ou não têm como permanecer na casa dos pais e familiares. Sem alternativa, o Abrigo Provisório Municipal, que atende moradores de rua já adultos, tem sido usado para receber os jovens que sofreram algum tipo de violência, ficaram sem lar ou estão longe da família. Ontem quatro menores estavam vivendo provisoriamente no abrigo. A adolescente JGF, que disse ter 17 anos (ela não tem documentação), afirmou ter vindo com outras duas amigas (JAASS e JLST) de Luziânia (GO) para morar em Ituverava na casa da madrasta de JL. Elas vieram para Franca de carona e esperavam chegar ao destino da mesma forma. As três foram levadas ao abrigo pela Polícia Militar que as encontrou em um posto à beira da rodovia na noite de segunda-feira. “Elas contam histórias diferentes e fantasiosas que ainda não foram confirmadas. Enquanto isso, vão ficando aqui no abrigo até serem levadas para um responsável”, disse Adair Carvalho, administrador do Abrigo Municipal. Lá, por dia, chegam em média, dois adolescentes vitimizados. Eles são instalados em quartos separados por sexo mas junto com outras pessoas desabrigadas ou vindas de outras cidades. O outro caso é o de uma menor de 17 anos que vivia com um traficante. Na segunda-feira, ele e seus familiares a ameaçaram de morte. Ela acabou procurando a polícia e, depois de prestar queixa, foi levada para o abrigo. “Aqui nós não temos condições de oferecer a atenção que esses adolescentes precisam. O ideal seria a cidade ter um lugar próprio para esse tipo de atendimento”, disse Adair. A falta de uma estrutura para acolher jovens têm preocupado o Conselho Tutelar. “A falta de um espaço adequado para receber os adolescentes cria uma situação de risco para eles que precisam de acompanhamento profissional”, disse o conselheiro Lucas Verzola. O secretário municipal de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Roberto Nunes Rocha, diz não ter como resolver o problema imediatamente. “Estamos terminando de construir o Complexo do Aconchego, que terá 32 vagas para adolescentes. Enquanto as obras não forem concluídas, não podemos fazer mais nada”, disse. As casas do Complexo foram concluídas em outubro de 2007, mas faltam os locais para prática esportiva e lazer. “Não temos previsão de quando tudo ficará pronto”, disse Nunes. O espaço conta com oito casas que atenderão crianças vítimas de maus-tratos, negligência, abandono, assédio e violência sexuais, envolvimento com prostituição e rebeldia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários