O Central Park, em Nova York, o Ibirapuera, em São Paulo, o Parque Ecológico da Pampulha, em Belo Horizonte, e até mesmo o Curupira, em Ribeirão Preto, além de serem cartões-postais das cidades, representam um espaço onde a população tem a oportunidade de promover recreação e fugir um pouco do tumulto da vida moderna.
Em Franca, a lógica parece ser a inversa e o motivo pode ser político. No lugar da beleza e da comodidade comuns aos espaços abertos citados, o Parque dos Trabalhadores está em total abandono, servindo inclusive de depósito de móveis e equipamentos estragados da Prefeitura e até mesmo de particulares. O que mais chama a atenção é que não faz nem um ano que o espaço foi inaugurado. A obra custou R$ 1,2 milhão, dinheiro doado pela Petrobras.
Em uma visita realizada na manhã de ontem, foi possível observar que o problema não se restringe apenas ao mato alto que coloca em risco as pessoas que insistem em usar o parque. Na recepção, há apenas um funcionário, que colocava folhas de jornal em uma parte da porta em que o vidro estava quebrado. Outro, na parte externa, cortava o mato, que chegava a até um metro de altura, com um trator.
Na segunda-feira, ao ser questionado sobre o estado do Parque, o secretário de Administração de Franca, Sérgio Jerônimo Pinto, responsável pelo parque, disse que havia muito mato alto e que isso seria conseqüência das chuvas. Além disso, ressaltou que a Prefeitura estuda formas de utilizar o espaço. “Estamos incrementado as atividades da escolinha esportiva. Estive lá e vi que tem problemas de mato alto, então solicitei a limpeza. Sobre o salão, estou analisando as possibilidades de utilização”. O problema, no entanto, vai além das análises do secretário.
Nos banheiros, pegadas de barro e água parada mostram que o local não tem recebido a limpeza que merece, já que, no dia anterior, o espaço esteve fechado justamente para ser limpo. Além do barro, as torneiras estão sem os registros necessários para a abertura, fazendo com que o simples ato de limpar a mão se torne impossível.
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Nos espaços reservados para a colocação de duchas, só o parafuso vedante evita que a água caia e molhe todo o chão.
Na área destinada à prática de esportes, os aros de basquete tortos se misturam a uma trave em que a parte superior ficou em formato de “V”, provavelmente por ações de vândalos. Mais acima, o espaço que seria o anfiteatro se tornou depósito de móveis, onde bancos e mesas estão amontoados. A placa inaugural, na porta, aponta que a inauguração ocorreu em março de 2006, quando na verdade, o parque só foi aberto à população no dia 27 de abril do ano passado, não tendo portanto, 11 meses de vida útil.
Para os vizinhos, o que deveria ser um motivo de alegria está se tornando preocupação. A comerciante Aparecida Nogueira diz que espaço está às moscas. “Não tem movimento de espécie alguma. Está abandonado.”
Se durante o dia o problema é a falta de público, ela comenta que já ouviu barulhos do local na madrugada. “Meu filho estava na esquina, conversando com o amigo dele, e ouviram o grito de mulher, por volta da 1 da manhã. Eles correram para ver o que acontecia, mas sumiu, ninguém mais escutou. Ela gritava ‘ai’”.
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