Quase uma hora e meia de reunião e a regulação nos serviços prestados a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) pela Santa Casa de Franca não ficou definida. O encontro, na manhã de ontem, entre os diretores do hospital e o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, na capital, rendeu recursos extras à instituição, mas não solucionou o problema que mais preocupa a população: os cortes no atendimento.
A situação poderá ser normalizada apenas a partir de amanhã, quando uma equipe de técnicos da Secretaria Estadual de Saúde estará em Franca acompanhando o sistema de internações, procedimentos e estudando o contrato entre a Santa Casa e o Governo Estadual, que é quem gerencia os serviços. Hoje, as medidas de suspensão tomadas no dia 1º de março pelo provedor da Santa Casa, José Cândido Chimionato, continuam valendo. “Vamos cumprir apenas o que está na cota estipulada no contrato”, disse Chimionato.
Em São Paulo, Chimionato esteve acompanhado do superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno; do diretor-hospitalar, Marcelo de Paula; e dos deputados estaduais Gilson de Souza (DEM) e Roberto Engler (PSDB). De imediato, a instituição conseguiu a liberação de R$ 1,8 milhão referente a três meses de repasses do Programa “Pró-Santas Casas I”; um empréstimo de R$ 5 milhões, com juros subsidiados pela secretaria, e a inclusão do hospital no Programa “Pró-Santas Casas II”, a partir de abril, com repasses mensais de R$ 390 mil. Para isso, as prefeituras da região precisam concordar em repassar 30% deste valor.
Convencer prefeitos e secretários municipais a ceder a contrapartida promete ser uma nova batalha da diretoria do hospital. Seis secretários ouvidos pelo Comércio adiantaram que não têm intenção de ajudar.
Enquanto não há confirmação da ajuda das prefeituras, a Santa Casa utilizará o empréstimo de R$ 5 milhões para reduzir seu déficit mensal, hoje na casa dos R$ 800 mil. O empréstimo será parcelado em 36 vezes, sem juros, e utilizado para o pagamento de um outro financiamento, de R$ 3 milhões, tomados pela instituição no fim de 2007. “Estamos pagando juros altos desse empréstimo. Vamos quitá-lo e nos sobrará R$ 2 milhões para o pagamento de fornecedores”.
NO LIMITE
Até ontem, o único procedimento que chegou no limite da cota estipulada no contrato entre governo e Santa Casa de Franca foi o de quimioterapia. Doze pacientes de câncer que iniciariam sessões de quimioterapia no mês de março foram “barrados”, mas garantiram o atendimento ao recorrerem à Justiça. Caso a situação não se normalize, o próximo procedimento a sofrer cortes será o raio-x. A cota de 4,7 mil procedimentos deve chegar ao limite até o fim de semana. “Não poderemos fazer nada. Continuo dizendo que vamos cumprir o contrato”, disse Chimionato.
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