O tão falado embate entre China e os calçados francanos tem apenas uma razão de ser: a falta de senso de oportunidade dos empresários calçadistas da cidade. A idéia, polêmica, foi discutida ontem por Charles Andrew Tang, presidente da Câmara Binacional de Comércio Brasil–China, que proferiu palestra na Unesp. “Poucas empresas calçadistas, em especial de Franca, procuraram a Câmara para saber como vender para o mercado chinês. É um erro grande, já que quem entra no mercado chinês ganha muito dinheiro”, disse.
No Brasil há 30 anos, Tang - que tem ascendência chinesa - afirmou ainda que, caso nosso País se prepare adequadamente, o comércio com os asiáticos é positivo para o Brasil e para Franca, que pode, inclusive, conquistar o mercado interno de calçados daquele país.
“Na China, são dois extremos. Existe o sapato muito barato e com design limitado, de produção local, e o que é importado da Itália, com altíssimo custo e design de ponta. O Brasil, com sua técnica, tem tudo para entrar e conquistar o mercado, pois produz sapato com preço próximo do chinês e qualidade próxima da italiana”, avalia.
Segundo ele, é isso que as empresas do sul do Brasil vêm fazendo há algum tempo. “As 1,7 mil empresas de calçados gaúchas com negócios na China nunca ganharam tanto. A Azaléia, que fez uma fábrica lá, não fala em crise. Falta ao industrial francano conhecer o mercado chinês e aprender como ganhar dinheiro lá”.
Durante o evento, organizado pela Orbe - a empresa júnior do curso de Relações Internacionais da Unesp de Franca - Tang destacou, ainda, que o investimento do Brasil, desde a década de 1970, é fadado ao fracasso por apostar, segundo ele, em um modelo de pobreza. No período, os chineses passaram de um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 160 bilhões para algo próximo US$ 3,4 trilhões em 2007, enquanto o Brasil subiu de US$ 334 bilhões em 1974 para US$ 1,3 trilhão. “O modelo chinês privilegiou o crescimento econômico, enquanto o Brasil sempre buscou a estabilidade econômica. A opção da China fez com que o País crescesse muito mais”.
AUSÊNCIA
A ausência da noite foi -mais uma vez - a de representantes do setor calçadista. Mesmo se tratando de um tema que toca na pele dos empresários francanos, o evento contou com cerca de 250 presentes, entre eles representantes do governo municipal, alunos, professores e imprensa, mas nenhum industrial do setor calçadista ou representante do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca) compareceu ao evento.
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