Eles fazem parte da instituição em que a sociedade mais deposita confiança. No dia-a-dia, enfrentam riscos impensáveis para a maioria das pessoas, seja para salvar uma vida ou resgatar vítimas de um acidente automobilístico. No cotidiano de um soldado do Corpo de Bombeiros, adrenalina, pressão, corrida constante contra o tempo e uma rotina totalmente imprevisível são ingredientes que estão presentes, assim como estão o treinamento constante, a preparação de relatórios, a informática, a aplicação de modernas técnicas de salvamento e a habilidade com equipamentos para as mais diversas situações.
No imaginário popular, o grande caminhão vermelho, levando aqueles homens corajosos em seus uniformes antichamas, faz parte da vida de inúmeras pessoas. Por gerações inteiras, muita gente sonhou fazer da corporação dos bombeiros, condição só acessível às mulheres bem pouco tempo atrás, embora vagas disponíveis para o sexo feminino não sejam muito comuns no interior.
No Brasil, a imagem do bombeiro está mais relacionada às corporações militares, organizadas dentro de cada Estado. A de São Paulo, por exemplo, é reconhecida como uma das melhores do País, mas outras opções, fora do serviço público, estão disponíveis para quem se interessa pela carreira. Por força de lei, grandes edifícios, aeroportos e shopping centers, por exemplo, devem possuir suas brigadas de incêndio e salvamento.
Para ingressar na corporação, tendo como exemplo o Corpo de Bombeiros Paulista, é necessário ter entre 18 e 30 anos, no mínimo 1,65 metro de altura, estar em dia com a justiça eleitoral e ter concluído o ensino médio. Outra exigência é não ter ficha criminal e nenhuma fobia. Todo bombeiro é preparado para desenvolver diferentes habilidades de incêndio, salvamento, resgate e defesa civil.
O candidato ao posto de “homem do fogo” não terá, no entanto, como entrar direto na corporação, mesmo passando em todas as fases do concurso. A não ser em ocasiões especiais e muito raras, quando o comando do Corpo de Bombeiros recebe autorização para realizar concursos próprios, o mais comum é o interessado entrar como soldado da Polícia Militar. Nessa condição, ele se prepara durante um ano nas escolas de formação espalhadas pela capital e interior.
Ao final, dependendo das vagas existentes e do rendimento do aluno, ele pode ser designado para ocupar seu lugar em um dos subgrupamentos existentes no Estado. Como o soldado, receberá um salário inicial de pouco mais de R$ 1,4 mil, podendo chegar no final da carreira ao posto de subtenente.
Caso queira se tornar um oficial, o candidato terá que prestar a prova da Academia Militar do Barro Branco, cujo única porta de entrada é o vestibular organizado pela Fuvest. Por anos seguidos, a carreira da PM é uma das mais concorridas. Como oficial, a carreira, que começa com segundo tenente, oferece a chance de chegar até a coronel. O salário inicial é de R$ 3 mil, aproximadamente.
O caçula da família Maríngolo, Marco Aurélio, 26, talvez não imaginasse como é ser bombeiro quando assistia a filmes e desenhos em que o “herói” aparecia. “O desejo surgiu aos 12 anos, mas foi aos 24 que consegui realizar meu sonho”, disse. “Poder salvar alguém é a maior realização que posso ter. Sou apaixonado pelo que faço e não me vejo em outra profissão”, revelou o soldado.
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