Se não houver um acordo hoje entre a Santa Casa de Franca e o governo do Estado de São Paulo para aumentar o número de procedimentos realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), os serviços de raio-x devem ser os próximos a sofrer cortes. O hospital anunciou que vai suspender o serviço assim que ele atingir a cota de 4.767. Até domingo, 9 de março, 2.855 pessoas passaram pelo raio-x, uma média de 317 por dia. Ontem de manhã, restava um saldo de 1.912 exames para o mês. Isso significa dizer que, nos próximos quatro dias, a cota pode ser atingida e o atendimento, suspenso.
A medida não é a única tomada pela direção da Santa Casa em relação aos exames de raio-x. Desde a 0h01 de ontem, ela retirou 17 funcionários que mantinha no Pronto-socorro “Dr.Janjão” e os transferiu para seu ambulatório. Com isso, os pacientes do PS que necessitam do exame têm de ir ao hospital e, depois, retornar ao pronto-socorro para que o médico analise o resultado.
Para não gerar transtornos para os pacientes, a Secretaria Municipal de Saúde está oferecendo, provisoriamente, o transporte em ambulância até a Santa Casa. “Nós já tínhamos um esquema montado para o transporte de pacientes porque não é a primeira vez que isso acontece”, disse o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira.
Segundo Alexandre, a situação deve ser resolvida em breve, já que o município planeja montar seu próprio ambulatório de raio-x. “Temos o equipamento e estamos estudando uma forma de contratar pessoal para montar nosso serviço no “Janjão” e não depender mais da Santa Casa. Antes, vamos tirar o dinheiro do hospital porque a atenção básica é nossa, portanto, nosso dinheiro está lá”.
A Secretaria Municipal de Saúde já solicitou ao Governo do Estado que faça os repasses do raio-x para a Prefeitura de Franca. Caso isso aconteça, a Prefeitura deverá abrir concurso público para contratar 13 técnicos em raio-x ou uma empresa que preste esse tipo de serviço.
Com a retirada dos técnicos do PS, a diretoria da Santa Casa não descarta demissões no seu quadro de funcionários. José Cândido Chimionato, provedor da Santa Casa, disse na sexta-feira que a medida tem como objetivo reduzir custos para o hospital. “Se houver pessoal ocioso, pode sim, haver demissões”.
Hoje os profissionais que estavam no pronto-socorro atenderam pacientes dentro do hospital.
DEZ DIAS DE CORTES
Os cortes adotados pela diretoria da Santa Casa em relação ao atendimento a pacientes da rede pública de saúde completaram dez dias ontem. O hospital garante que atenderá apenas o número de procedimentos estipulados no contrato com o Estado, hoje responsável por gerenciar os serviços do SUS. Além disso, a Santa Casa quer receber R$ 1,2 milhão que bancou de procedimentos extras no período de julho de 2007 a fevereiro de 2008.
Desde que anunciou os cortes, a instituição suspendeu apenas serviços de quimioterapia - únicos que excederam a cota paga pelo Estado. Revoltados com a situação, pacientes com câncer entraram na Justiça e garantiram, por hora, o atendimento.
Ontem a diretoria da Santa Casa participou de uma reunião prévia com técnicos da Secretaria de Estado da Saúde para expor a situação do hospital. Hoje o encontro será com o secretário estadual, Luiz Roberto Barradas, às 10 horas.
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