Estamos vivendo, no momento, uma polêmica, refletida na imprensa, entre dois ramos do sistema democrático brasileiro: o do presidente do Executivo e o do presidente do Judiciário, respectivamente, representados por Luiz Inácio “Lula” da Silva e Marco Aurélio de Mello, do STF. Trata-se de pessoas que ganharam notoriedade na vida pública, um no cargo da Presidência da República e o outro na Presidência do Supremo Tribunal de Justiça.
Todos os eleitores, lendo os jornais da última semana, deveriam ficar surpresos com a troca de expressões da oratória de Lula, tendo por assunto comentários críticos feitos pelo ministro Marco Aurélio, desagradando ao alegre viajante do Aerolula. Na verdade, mesmo antes de reproduzir a i-nesperada rixa, se pode dizer que ambas as autoridades públicas não devem ter lido o livro de Norberto Bobbio, escrito para pessoas como essas em bate-boca: “Elogio da Serenidade”, pois “a política obedece a um código de regras ou sistema normativo, que não se coaduna e, em parte, é incompatível com o código de regras, ou sistema normativo, da conduta moral”.
A manchete do “Estadão”, do dia 1º de março anuncia a polêmica: “Lula acusa STF de ajudar oposição e provoca grande reação no Congresso”. O jornal lembra o suelto do jornal, de 2003, onde relembra a primeira grande crítica ao Judiciário: “É preciso um controle externo do Judiciário, É preciso saber como funciona a caixa preta desse poder que se considera intocável. O ministro Marco Aurélio res-pondeu: Aqueles que se mostram incomodados por isso ou aquilo têm o direito de reclamar”. Na crise que envolveu Alagoas, Lula fez comentários críticos: “Seria tão bom que o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles, o Legislativo, apenas nas coisas deles e o Executivo apenas nas coisas deles”.
Lula não escolhe palavras ou comentários, estrila em qualquer discursinho político que fizer. Como outro dia, quando Marco Aurélio de Mello criticou o projeto de reforma política, como era seu direito: “Se ele quiser ser político, renuncie já e se candidate para falar as bobagens que quiser, na hora que quiser, mas não fique se metendo na política do Poder Executivo”. Lula é político que mistura piadas e desaforos, mas essa última crítica, o ministro Marco Aurélio deu resposta sumária, cabal: “Sou um homem realizado como julgador, exercendo minha missão com independência”.
A falta de ética de Lula e seus exa-geros oratórios causam sempre surpresas, não só aos jornalistas como aos partidos políticos. Em defesa do juiz Marco Aurélio de Mello, o PSDB em nota, onde pôs em destaque: “A agressão ao ministro é uma agressão à Suprema Corte do País”. E mais adiante: ‘É que ele morre de inveja do Fidel Castro e do Chavez e adoraria não ser oposição para fiscalizá-lo.
Não é de hoje que Luíz Inácio Lula da Silva faz discursos acusando órgãos e personalidades, em críticas ferinas. Chega às raias do humor em certas falas, surpresas, críticas. Talvez seja um ranço de campanha partidária e saudades de comícios...
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