Imagine ter uma faca apontada para o pescoço, ser jogado sobre um colchão e ficar cercado durante três horas por criminosos ameaçando atear fogo. Foi exatamente por isto que passou Marcos Antônio Ferreira em janeiro de 2005. Maio de 2006: Marcelo Borges Orlando ficou 22 horas nas mãos de bandidos. Foi agredido e sofreu torturas psicológicas. Terça-feira, 4 de março de 2008. Simei de Moraes Brião é tomado como refém e fica em poder de presos por seis horas. Era o escudo humano. O primeiro a morrer em caso de revés nas negociações. Os personagens são carcereiros da cadeia de Franca, exemplo claro de profissão perigo.
Viver em constante estado de tensão, lidar diariamente com criminosos e ganhar pouco. Tem que ter coragem e gostar muito do que faz. Um carcereiro tem salário médio de R$ 1,7 mil e cumpre escala de 24 horas consecutivas de trabalho (folgando, em seguida, por 72 horas). A equipe de plantão, em tese, é formada por seis policiais. Férias e afastamentos sempre provocam desfalques. Na média, é um policial para vigiar 80 presos. Eles se revezam na guarita sobre a muralha e em rondas na área interna do presídio.
Também se arriscam nos corredores para conferir celas e entregar a alimentação dos presos. Em casos de tentativas de fuga ou de motins, são pegos como garantia de vida para os criminosos. “Nunca mais coloquei os pés lá dentro. Atualmente, trabalho apenas na escolta. Só quem passou por uma situação destas sabe como é. A pressão psicológica é muito grande”, comentou Marcos Ferreira.
Para o policial Simei, vítima na rebelião de terça-feira, a falta de controle dos presos faz com que a situação se torne ainda mais tensa. “Percebi que alguns estavam muito nervosos. A qualquer momento, poderiam perder a cabeça. Se algo desse errado, me matariam. O temor deles era uma invasão por parte do GOE”.
O drama do carcereiro terminou por volta das 2 horas de quarta-feira, quando os presos concordaram em liberá-lo e voltar para as celas. Livre, ele saiu correndo e deixou a cadeia rapidamente, certo? Errado. Simei permaneceu no pátio e foi o responsável por trancar os criminosos. Depois, foi até a carceragem, conversou com os amigos, falou com a imprensa e voltou para casa. “No próximo plantão, já estarei trabalhando normalmente. O risco faz parte. Gosto do que faço. Estou na profissão que escolhi e vou com ela até o fim”.
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