Saiba detalhes da rebelião de terça-feira e da dura rotina de um carcereiro.
Comércio da Franca - Como foi a rendição?
Simei - Entrei no corredor para passar a refeição dos presos. Estava escuro. Ao tentar abrir o cadeado, um detento veio por trás e colocou a faca no meu pescoço. Ele falou que era para eu ficar tranqüilo, que não iria acontecer nada comigo, pois o objetivo deles era fugir. Meus companheiros perceberam a ação e efetuaram tiros de advertência. Os presos recuaram e voltaram para a cela, me levando como refém.
Comércio - Chegou a pensar que fosse morrer?
Simei - Sim. A negociação foi tensa e alguns presos estavam muito nervosos. Eles temiam uma invasão por parte do GOE. Por alguns momentos, senti que eles poderiam perder a cabeça.
Comércio - Quando acabou o pesadelo?
Simei - Foi quando chegou a advogada deles. Com a presença dela e com o trabalho do doutor Wanir, que manteve os presos calmos, eu também fiquei tranqüilo.
Comércio - Como é ser carcereiro em Franca?
Simei - Nosso trabalho é de alto risco. Lidamos com criminosos o dia todo. O prédio é antigo e não tem nenhum plano de segurança para nos proteger. O número de funcionários é insuficiente. A situação precisa ser revista e o CDP ser construído logo. É humanamente impossível conviver com tanta pressão.
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