Neste quinto domingo da quaresma, a Palavra de Deus nos apresenta Cristo, que é ressurreição para a nossa vida. A palavra de Deus proclamada nas celebrações eucarísticas é colhida do livro de Ezequiel, da Carta aos Romanos e do evangelho de São João.
A primeira leitura relata a visão de Ezequiel, de um vale cheio de ossadas. O relato compõe-se de uma visão e sua interpretação. A visão é uma imagem desesperadora dos israelitas exilados na Babilônia, após a destruição de Jerusalém. A interpretação explica o sentido dos ossos ressequidos e contém a mensagem a ser anunciada pelo profeta ao povo sem esperança.
O povo encontra-se em desespero por causa da ruína de Jerusalém e do templo, da perda da autonomia política, do medo de serem excluídos do grupo de eleitos e da terra prometida. Nesse contexto, Ezequiel é chamado a anunciar aos desolados a ressurreição nacional. Deus mesmo vai abrir os túmulos, tirar os israelitas que lá estão e reconduzi-los à terra de Israel. É um novo começo para Israel como povo e ele saberá que Deus é o Senhor que dá a vida e conduz à salvação.
As palavras de Ezequiel podem ser aplicadas a todas as situações de morte nas quais os homens podem vir a encontrar-se: há morte na família por meio das ofensas entre o marido e a mulher onde não dialogam mais, vivem no mesmo teto curtindo a solidão; há morte no jovem que escolheu o caminho da droga, da corrupção, do roubo; há morte há intrigas, invejas, etc.
A solução chega quando procuramos a Deus para nos orientar, quando deixamos que Ele entre na nossa vida para nos conduzir. A sua presença dá vida a estes cadáveres que existem em nós. O trecho escolhido para a segunda leitura é do capítulo 8 da carta aos Romanos. É uma das páginas mais ricas e belas de São Paulo.
O apóstolo ensina que a vida do homem tem um começo e um fim. A de Deus, não. Ele não nasceu e não morre nunca. Jesus, sendo homem como nós, morreu, tinha que morrer. Ele, porém, ressuscitou. Por que ressuscitou? Porque ele possuía em plenitude o Espírito de Deus, isto é, tinha em si a vida de Deus. O Espírito de Deus o fez ressuscitar, isto é, deu-lhe entrada, também com seu corpo, na glória do Pai.
São Paulo ao escrever este trecho oferece-nos uma grande alegria: também nós, que recebemos no Batismo o Espírito de Deus, não podemos morrer. A nossa vida neste mundo terá um término, mas não será o fim de tudo. Ressuscitaremos, viveremos na eternidade com Deus.
O evangelho é um magnífico texto de João Evangelista que narra a ressurreição de Lázaro. O acontecimento se dá em Betânia, povoado de Marta e Maria, amigas de Jesus. Marta é a mulher ativa e Maria, a contemplativa. As irmãs, diante da doença do irmão Lázaro, mandam avisar Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. “Ao tomar conhecimento, Jesus diz que esta doença não levará à morte, ela serve para a glória de Deus, para que o Filho do homem seja glorificado por ela”.
Quando chega ao povoado, Lázaro já foi sepultado. Jesus revela àquelas irmãs uma nova dimensão de sua presença salvífica. Ele apresenta-se como a ressurreição e a vida. Diante de Jesus, Marta professa a fé na Vida. Jesus ressuscita Lázaro para esta vida. A ressurreição de Lázaro é sinal da ressurreição de Jesus que acontecerá mais tarde. Por meio deste fato, Jesus oferece aos seus inimigos mais um motivo para ser morto. Mas a sua morte trará a glorificação do Pai.
O milagre revela que Deus está em Jesus. O Deus de amor que salva revela-se por meio das ações de seu Filho dileto. Crendo e caminhando com ele, a ressurreição e a vida, temos a certeza de que estamos no rumo certo.
Deus nos convida a ter fé na vida. É sempre necessário dizer Não à morte e Sim à vida. Fazemos parte de uma sociedade que contém muitos projetos em favor da vida, porém, infelizmente, há ainda muitos sinais de morte.
Deus é o Senhor da vida. A vida está onde Deus está; a vida está onde Cristo está; a vida está onde está o Espírito de Deus.
AS DORES DE MARIA
A piedade popular consagrou a devoção a Nossa Senhora das Dores, celebrando-a na liturgia (no dia 15 de setembro) e na Semana Santa. O povo que sofre identifica-se facilmente com os sofrimentos de Maria, a Mãe das Dores, que compreende e alivia todos os sofrimentos. As dores de Nossa Senhora têm fundamentação bíblica. São elas: “A profecia de Simeão: a espada de dor (Lc 2, 34-35); “A fuga para o Egito” (Mt 2, 13-15); “Maria à procura de Jesus no Templo” (Lc 2, 42-44 e ss); “Maria encontra-se com Jesus no Calvário” (Lam 1,12); “A crucifixão de Jesus” (Jo 19, 17-18); “Maria recebe o Corpo de Jesus” (Is 53, 2.4.8); “Maria sepulta o corpo de Jesus” (Jo 19, 41-42).
SEMANA SANTA
A Semana Santa agasalha o ponto central do Ano Litúrgico, que é a celebração do mistério pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Semana Santa é semana do encontro com o Cristo Ressuscitado: nas celebrações litúrgicas, na sua Palavra e na pessoa dos irmãos da comunidade. As celebrações religiosas são a recordação dos últimos acontecimentos da vida terrestre de Jesus de Nazaré.
PROCISSÕES DA SEMANA SANTA
As procissões religiosas seguindo andores ou acompanhando imagens de santos padroeiros são uma constante no Brasil, desde 1549. Elas são formas de piedade popular. As mais lembradas são: Procissão de Ramos; Procissão do Depósito; Procissão do Encontro; Procissão do Fogaréu; Procissão do Senhor Morte; Procissão da Ressurreição.
PARA REFLETIR
“Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor? Como me maltrataram!”. (Lamentações 1,12)
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