Franca negocia cada vez mais com a China


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NA DISPUTA - Na foto de arquivo, uma das bancas de pesponto da cidade. Indústria francana perde espaço para a China
NA DISPUTA - Na foto de arquivo, uma das bancas de pesponto da cidade. Indústria francana perde espaço para a China
Ela é a grande vilã da indústria francana. Em parte por causa da China, dizem os empresários, os produtos da cidade perderam competitividade no mercado externo e amargam prejuízos na balança comercial. A relação francana com a potência asiática, no entanto, parece ser a de amor e ódio convivendo simultaneamente. Isso porque o comércio entre o país comunista e a capital do calçado nunca foi tão intenso. Para se ter uma idéia, as vendas francanas para a China em 2007 foram 83,37% maiores do que as registradas em 2006, enquanto o aumento na compra de produtos chineses foi ainda maior, chegou a 171,55%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e mostram que o País subiu no ranking dos maiores compradores e vendedores de produtos para Franca. Em 2006, a China era o sexto país que mais vendeu produtos para Franca. Já em 2007, ela subiu para a segunda posição, atrás somente da Alemanha. Se o ritmo das importações de produtos chineses continuar, no entanto, o país asiático pode superar os germânicos, como aconteceu em janeiro. No primeiro mês do ano, a China vendeu US$ 615 mil para Franca, contra US$ 411.266 da Alemanha. O valor é simplesmente 1.712,95% maior do que o comprado por Franca no mesmo período do ano passado. Caso o crescimento notado se mantenha durante o ano, o país se transformará, de longe, no maior vendedor de produtos para Franca. Em relação às exportações, o crescimento foi menor, mas tão significativo quanto. Em 2007, a China comprou em dólares 83,37% a mais de produtos francanos do que o notado em 2006. O crescimento fez com que a potência asiática também subisse no ranking de maiores compradores, passando da sexta para a quarta posição. Para o economista Hélio Braga, a China é hoje um concorrente desleal, mas extremamente necessário. “Da mesma forma como ela é a mulher perversa, ela é a ideal, a mulher parceira. Ela (a China) faz este duplo papel”. A explicação para a analogia é que hoje o país, apesar de produzir em grande escala, com uma mão-de-obra barata, tem uma economia muito grande e que cresce a 9% ao ano, o que faz ele ser tão importante quanto os Estados Unidos. A mestre em gestão empresarial e professora da Unifran e do curso de MBA da Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, Fulvia Nassif Jorge Facury, vê o aumento das exportações para o país asiático com cautela. “Eu vejo com ótimos olhos a exportação, porém com receio. Eles copiam muito rápido. A tecnologia deles para copiar é extremamente agressiva, veloz. A exportação pode ser um boa, porque o mercado é muito grande, mas existe o fator de risco, que é a possibilidade de cópia”. A alternativa, segundo ela, é propor sempre novas soluções. Com isso, enquanto eles copiariam nossos produtos, a gente lança produtos novos. “A chance da exportação não se tornar um cavalo de tróia é a indústria brasileira sempre inovar. É assim que a Microsoft trabalha. Eles tem vários Windows já desenvolvidos, mas eles não jogam todos de uma vez. Quando eles observam que tem um fator de risco, lançam outro”.

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