Alta no preço do ferro encarece construção


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O empresário Venilson José de Paula, de camisa escura, sente no bolso o aumento no preço do ferro: “tive que rever os prazos da minha construção”
O empresário Venilson José de Paula, de camisa escura, sente no bolso o aumento no preço do ferro: “tive que rever os prazos da minha construção”
Está pensando em construir? Então se prepare: está mais caro erguer um imóvel em Franca. Isso porque em fevereiro as ferragens e esquadrias metálicas como portas, portões, venezianas e vitrôs passaram a custar até 26% mais. A reportagem entrevistou sete depósitos de materiais de construção e todos confirmaram o aumento. Além do ferro, produtos feitos à base de amianto (telhas e caixas d’água) também sofreram reajustes. A alta na exportação é a principal justificativa para o crescimento. Sendo assim, uma pessoa que gastaria, somente com esses materiais, R$ 1.890 para construir uma casa simples com três cômodos, gastará agora R$ 2.361, uma diferença de R$ 471. Para sentir o aumento, basta avaliar os preços. Em dezembro do ano passado, o cliente encontrava uma barra de ferro 5/16, a mais vendida, por R$ 15. Agora, o mesmo produto custa R$ 18,80. No caso da porta o aumento é ainda mais considerável. “O modelo mais comum custa hoje R$ 88, mas, no fim do ano, já cheguei a vendê-la por R$ 65”. disse o vendedor Maikon Andrade, do Araguaia Materiais para Construção, que culpa a exportação pelo aumento. “Estamos vendendo demais para a China. Como sobra pouco para gente, o preço sobe. Algumas empresas que têm estoque até conseguem repassar menos aumento para os clientes, mas não é o nosso caso”. No caso dos produtos de amianto, a diferença constatada chega a R$ 19. “A telha 244x110 custava R$ 18, mas agora passou para R$ 22. A caixa d’água era R$ 80 e agora é R$ 99”, disse o vendedor Eurípedes Miranda, do Depósito Centenário. O curioso é que mesmo diante da alta nos preços, a maioria dos varejistas garante que as vendas não diminuíram. Ao contrário, tendem a aumentar a partir de abril, quando, em virtude da estiagem e dos estragos causados pelas chuvas, as pessoas decidem construir ou reformar. “Aqui não afetou nada ainda e, mesmo com esse aumento e as chuvas, a minha expectativa para este ano é excelente. Os dois primeiros meses não costumam ser bons, mas foram, tomara que continue assim”, disse o proprietário da Reicon Materiais para Construção, Willian Damian. Tentando levantar a sua casa própria desde janeiro de 2007, o empresário Venilson José de Paula, 40, confessa que não deixou de comprar, mas diminuiu o volume das compras. “Com os preços altos a gente compra menos e isso atrasa a obra. Gostaria de ter dois pedreiros e um servente trabalhando, mas com os preços em alta isso não cabe no orçamento”.

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