Na manhã da última quarta-feira, a dona de casa Francisca Maria Alves, 47, de Rifaina, deixou todos os afazeres domésticos de lado para ir ao salão de beleza. Pela primeira vez, ela hidratou os cabelos. Francisca foi atendida pelo Projeto “Roda da Auto-Estima”, implatado pelo Fundo Social de Solidariedade de Rifaina.
O programa começou há uma semana e foi criado a partir de uma sugestão da cabeleireira Maria Rita da Rocha, que atendia de graça moradores que não tinham condições de pagar. A idéia cresceu e conquistou a simpatia da manicure Cidele Maria Florentino. As duas trabalham voluntariamente no salão de beleza montado em uma sala dentro da entidade. As clientes não pagam nada pelo tratamento, que é oferecido às segundas e quartas-feiras durante o dia todo.
Para ser atendida, é preciso marcar hora e passar por uma seleção. A primeira exigência é participar de um projeto do Fundo Social.
A doméstica Francisca ficou tão empolgada que levou a filha Francisca Daiane Alves, 14, para cuidar dos cabelos também. “Agora vou aproveitar sempre”, disse a doméstica. Já a filha quer ainda fazer as unhas das mãos e dos pés.
Na manhã da última quarta-feira, o salão estava lotado. Faltou espaço para tanta gente. Entre as clientes, estava a dona de casa Ana Flávia Souza Soares, 20. Depois de acompanhar a filha de quatro anos que teve os cabelos cortados e escovados, resolveu pintar as madeixas. “Estou desempregada e não teria condições de pagar para mim e para minha filha. Se eu fosse a um salão gastaria R$ 50. Aqui fui bem atendida e totalmente de graça”.
Enquanto a tinta fazia efeito na cabelo de Ana Flávia, a cabeleireira Maria Rita cortava o cabelo da dona de casa Nadir Medeiros, que já tinha feito as unhas. Aos 53 anos, fez escovas pela primeira vez. “Esse projeto é muito bom porque dá oportunidade para quem não pode pagar”. É justamente esse o objetivo do projeto, levantar a auto-estima de mulheres vaidosas, mas que não dispõem de recursos financeiros para pagar por um tratamento de beleza.
INTERESSE
Em uma semana, o Roda da Auto-Estima atendeu 16 mulheres nas mais variadas idades. Para implantar o projeto, a Prefeitura Municipal investiu R$ 1,8 mil para adquirir equipamentos para o salão. Mesmo estando no início, o programa despertou muito interesse. Para ser atendido não basta querer, é preciso estar inscrito em um programa do Fundo Social. “Vamos dar preferência para quem está em depressão, está acamada e com baixa auto-estima”, disse a assistente social Silvia Donizete de Resende.
A psicóloga Elaine Cristina Cintra disse que o projeto Auto-Estima prevê a realização de reuniões para tratarem de assuntos como depressão e baixa auto-estima. Em breve, as reuniões ganharão o reforço de uma nutricionista. “Não queremos trabalhar apenas a parte externa. Vamos dar atenção também para a parte interna”.
Seguindo essa linha, haverá cursos de maquiagem e dicas de como aprender a se vestir sem ter gastos. “É uma forma de despertar essas mulheres para a vida. Ver o sorriso delas depois de passar pelo salão de beleza compensa qualquer esforço”.
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