Dedicação superior à dos homens e maior grau de escolaridade não garantem às mulheres “gordos” salários. O sexo masculino ainda leva a melhor quando o assunto são os rendimentos superiores a dez salários mínimos. Atualmente, para cada dez trabalhadores com altos salários somente três são mulheres. Se o cenário é ruim, há duas décadas era ainda pior. As mulheres representavam apenas 10% dos 1.479 trabalhadores que ganhavam mais de dez salários, segundo levantamento da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), referente ao ano de 2006.
Para Luiz Facirolli, gerente industrial da Rafarillo Calçados, no recrutamento não há mais diferenças entre homens e mulheres, porém seus ganhos estão relacionados à habilidade e experiência profissional. “A mulher se sobressai em áreas que exigem maior cuidado, dedicação, como no pesponto e na preparação do calçado, mas em outros setores, mesmo se desenvolver trabalho semelhante ao do homem, ela recebe diferente”. A fábrica tem 200 funcionários, 80 são mulheres e quatro ocupam cargo de chefia.
Maria Ignes Archetti, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, acredita que esse diferencial entre homens e mulheres tem relação com o preconceito vivido por elas. “As mulheres avançaram, mas ainda há discriminação. Existe divisão sexual do trabalho e profissões consideradas femininas são menos valorizadas e recebem um salário menor, porque salário de mulher é visto como complemento dos ganhos da família”.
A tapeceira Rita Helena Montanari, 39, sente essa diferença de perto. Apesar dos dez anos de experiência no ramo e toda dedicação que emprega no trabalho, seu trabalho, feito na maioria das vezes por homens, ainda causa estranhamento. “A gente trabalha igual, por ser mulher existe até um capricho maior, mas o preconceito ainda existe”.
Rita ganha em média R$ 1,5 mil por mês e acredita que, se o mesmo trabalho fosse executado por um homem, o rendimento poderia ser diferente. “Nunca me preocupei com isso, porém, passei a me dedicar a outros trabalhos, como a pintura de móveis”.
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